Internacional

Incêndios continuam a devastar o Sul da Europa: mais de 300 mil evacuados, o “casal Clooney” entre eles

Portugal, Espanha, França e Reino Unido enfrentam uma das vagas de calor e fogo mais severas dos últimos anos, com Espanha a liderar em área ardida absoluta e Portugal em percentagem de território afectado

Uma vaga prolongada de calor extremo, seca e vento forte continua a alimentar incêndios florestais em vários países da Europa Ocidental, com mais de 300 mil pessoas já obrigadas a abandonar, temporária ou definitivamente, as suas casas em Espanha e França. Entre os afectados está agora também o actor George Clooney e a família.

Espanha lidera a lista dos países europeus com maior área absoluta ardida em 2026, segundo dados avançados pela imprensa espanhola. O país chegou a decretar emergência nacional nas províncias de Madrid, Ávila e Toledo, com mais de 90 mil pessoas confinadas ou retiradas de casa desde o início dos incêndios. “A evolução é mais positiva do que ontem. Quero, no entanto, salientar que estamos a avançar muito lentamente”, admitiu recentemente um ministro espanhol, num ponto de situação junto ao posto de comando montado em Navalcarnero, na região de Madrid. O Governo espanhol aprovou, entretanto, um decreto que declara como zonas gravemente afectadas os territórios devastados pelas chamas.

Em França, os incêndios têm-se concentrado sobretudo na região de Bordéus, no sudoeste do país, e mais recentemente também na Provença, no Sudeste. Ao todo, os fogos em Espanha e em França já obrigaram mais de 300 mil pessoas a evacuar as suas casas, segundo dados recentes, num esforço de combate que tem exigido a mobilização simultânea de equipas em várias frentes distintas, protecção de populações e organização de evacuações em terrenos difíceis — com reforços internacionais vindos de outros países europeus, incluindo Portugal, a somarem-se ao esforço nacional de resposta.

Portugal com maior percentagem de território ardido

Apesar de não liderar em área absoluta, Portugal é o país que apresenta a maior percentagem de território afectado em relação à sua dimensão total. O top 3 dos países mais fustigados é composto por Espanha, França e Portugal, tendo o território português acumulado, até 21 de Julho, cerca de 119.458 hectares ardidos — o equivalente a 0,3% da superfície do país. Portugal continua ainda a recuperar dos estragos provocados pelo “comboio de tempestades” que atingiu o país no início do ano, com a Comissão Europeia a aprovar um plano de ajuda financeira superior a 65 milhões de euros para apoiar o processo de reconstrução.

Reino Unido enfrenta a sua terceira vaga de calor do ano

Também o Reino Unido tem sido fustigado por uma sucessão invulgar de incêndios em 2026, num ano em que já registou temperaturas acima dos 30°C em 25 dias, e valores iguais ou superiores a 34°C em Maio, Junho e Julho — pela primeira vez de que há registo nos três meses do mesmo ano. Até 28 de Julho, tinham já ardido mais de 21.871 hectares em território britânico, com 66 incêndios de dimensão superior a 30 hectares registados pelo Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS) — um valor inferior ao recorde histórico do ano passado (47.879 hectares), mas ainda assim excepcional. Só entre 6 de Julho e o início desta semana, os serviços de bombeiros de Inglaterra e do País de Gales responderam a 342 incêndios florestais, segundo o National Fire Chiefs Council, com pelo menos 19 fogos activos e incidentes de maior escala declarados no norte do País de Gales. A 29 de Julho, um incêndio de grandes dimensões na charneca de Dunwich Heath, em Suffolk, alastrou rapidamente numa área equivalente a cerca de 14 campos de futebol, impulsionado por ventos fortes e pelas condições secas da actual vaga de calor.

George e Amal Clooney entre os evacuados na Provença

Entre os milhares de pessoas obrigadas a deixar as suas casas está também o actor norte-americano George Clooney e a mulher, a advogada de direitos humanos Amal Clooney, forçados a evacuar a sua residência no sudeste de França, confirmou o agente do actor à Associated Press na quinta-feira.

O casal comprou a sua propriedade no topo de uma colina, o Domaine du Canadel, em Brignoles, no departamento do Var, em 2021, e transformou-a desde então na sua residência principal. Em Dezembro passado, o Governo francês concedeu a cidadania francesa a toda a família — incluindo os gémeos de nove anos do casal.

Numa carta dirigida a Didier Bremond, presidente da câmara de Brignoles, o actor escreveu que, “neste momento, não fazemos ideia se a nossa bela casa vai resistir a este momento terrível e, enquanto evacuamos Brignoles”, queria “sublinhar duas coisas”. “Primeiro, esperamos que o senhor e as pessoas da nossa cidade estejam em segurança, e segundo, que a Amal e eu estamos determinados a garantir que, aconteça o que acontecer à nossa aldeia, continuaremos a fazer plenamente parte desta comunidade e a contribuir para a sua reconstrução. Adoramos Brignoles e os amigos que lá temos”, escreveu Clooney.

O incêndio junto a Brignoles deflagrou na tarde de quarta-feira e queimou cerca de 100 hectares, segundo as autoridades locais. Cerca de 700 residentes foram evacuados, tendo sido autorizados a regressar às suas casas já na quinta-feira, depois de o fogo ter sido controlado; quatro bombeiros ficaram feridos no combate às chamas. Helicópteros bombardeiros de água mantiveram-se, ainda assim, destacados na zona, com as autoridades regionais a alertar que as condições meteorológicas continuam desfavoráveis, com temperaturas elevadas e ventos que deverão intensificar-se novamente ao longo da tarde.

Questionado anteriormente pela revista Esquire sobre a decisão de se mudar dos Estados Unidos para França, Clooney explicou que ele e a mulher não queriam que os filhos crescessem sob o olhar constante dos paparazzi, nem com uma visão do mundo limitada à vida urbana. “Uma boa parte da minha infância foi passada numa quinta, e, em criança, eu detestava essa ideia toda”, disse o actor. “Mas agora, para eles, é diferente — não estão agarrados aos iPads. Jantam com adultos e têm de levar a loiça para a cozinha. Têm uma vida muito melhor.”

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