Mercados Financeiros

IGAE celebra 40 anos com um aviso: fiscalização sem cidadania não chega

A Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE) assinalou o 40.º aniversário com uma mesa-redonda em Luanda dedicada à gestão do património público e à actividade inspectiva. Mas a mensagem central do encontro foi menos celebratória do que o tema sugeria: a qualidade dos serviços públicos não se resolve apenas com fiscalização. Depende também de cultura institucional, responsabilização dos gestores e participação cívica.

O delegado provincial da IGAE em Luanda, José de Oliveira Santos, foi directo: responsabilização e cidadania são factores essenciais para garantir que os serviços públicos cheguem às comunidades com qualidade. Uma formulação que, no contexto angolano, tem peso — e que situa a discussão num plano que vai além da inspecção formal para abordar o problema mais fundo da governação pública.

A mesa-redonda, realizada sob o tema “40 Anos da Actividade Inspectiva e a Gestão do Património Público”, serviu também para fazer um balanço do percurso da instituição — com destaque para os 34 anos de atuação efectiva na capital. Um dado que sublinha a consolidação do trabalho inspectivo em Luanda, num momento em que o debate sobre boa governação continua a ser uma prioridade declarada do executivo angolano.

Entre os objectivos reafirmados pela IGAE estão a promoção de boas práticas de gestão e fiscalização, a valorização do património do Estado, a coordenação entre órgãos de controlo e gestores públicos, e a divulgação da legislação e dos princípios que devem reger a administração pública.

O que está por fazer

O tom do evento revela uma instituição consciente dos seus limites. Ao colocar a cidadania ao lado da fiscalização como condição da qualidade dos serviços públicos, a IGAE reconhece implicitamente que o controlo externo não é suficiente — e que a mudança depende também de uma cultura de compromisso dentro do próprio aparelho do Estado.

Quarenta anos depois da sua criação, a IGAE celebra com um diagnóstico que é também um programa. A questão que fica é se a mensagem passa das mesas-redondas para a prática quotidiana da administração pública angolana.

Relacionadas

Osvaldo Lemos Macaia recebe diploma da Tsinghua e da INSEAD

O Presidente da Comissão Executiva do Banco Sol, Osvaldo Lemos

Grupo Fasano investe mais de 200 milhões de euros em

O Grupo Fasano confirmou a chegada a Portugal com a

Vasco Januário da CMC na Mesa Redonda com CEOs sobre

A 5.ª Edição da Mesa Redonda com CEOs realiza-se nos