O actor britânico Idris Elba abriu candidaturas a um programa de um ano que ensina cineastas africanos a fazer filmes com inteligência artificial (IA). A iniciativa da Akuna Group tem um milhão de dólares da Google e está aberta a cinco países, nenhum deles lusófono. Os filmes ficam propriedade de quem os faz, mas para entrar é preciso ter Internet fiável e electricidade constante, duas coisas que em África ainda não estão garantidas.
O actor Idris Elba lançou um programa de formação em cinema com recurso à inteligência artificial destinado a criadores africanos. É a mais recente etapa dos seus esforços para impulsionar a indústria cinematográfica do continente.
Com um financiamento de um milhão de dólares da Google, a Akuna Group, do actor, abriu candidaturas para um curso de formação e produção com a duração de um ano. O programa é dirigido a cineastas residentes no Gana, no Quénia, na Nigéria, na Serra Leoa e na África do Sul.
Os participantes serão donos dos filmes que produzirem. Para se candidatarem, porém, têm de garantir acesso fiável à Internet e fornecimento de electricidade regular.
Elba é filho de pai serra-leonês e mãe ganesa e está por trás de vários programas de desenvolvimento das indústrias criativas africanas.
Menos custos, mais possibilidades
Parte de Hollywood olha para a tecnologia com cepticismo, mas a iniciativa aproveita o interesse crescente pelo uso da IA nos media e no entretenimento em África. Para muitos criadores do continente, a tecnologia alarga as possibilidades criativas e ajuda a compensar a falta de financiamento, que trava muitos projectos.
A infra-estrutura continua, no entanto, a ser um obstáculo. A fraca cobertura de banda larga e o acesso irregular à electricidade limitam quem quer usar a IA para fazer cinema. Este mês, um filme em língua iorubá gerado por inteligência artificial ficou aquém das expectativas depois de os servidores da plataforma que o exibia terem ido abaixo durante a estreia.