A Reserva Federal norte-americana manteve as taxas de juro inalteradas esta quarta-feira, como os mercados esperavam, apesar de a inflação continuar acima da meta de 2%. A decisão respeita a tradição de não mexer na política monetária em vésperas de eleições, mas o presidente da Fed, Kevin Warsh, deixou claro que uma subida em Dezembro continua em cima da mesa.
A Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos votou esta quarta-feira a manutenção das taxas de juro de referência no intervalo entre 3,75% e 4%, depois da subida de 25 pontos base decidida em Setembro, a primeira desde 2023. A decisão correspondeu às expectativas dos investidores, que nos últimos dias tinham reduzido as apostas numa nova subida.
A pausa chega a menos de uma semana das eleições intercalares de 3 de Novembro e segue a tradição do banco central de evitar alterações à política monetária em período eleitoral. Os responsáveis da Fed já admitiram, porém, que poderá ser necessária uma nova subida em Dezembro. Nas projecções de Setembro, 16 dos 18 membros do comité esperavam pelo menos mais um aumento até ao final do ano.
A inflação é o problema que a Fed não consegue arrumar. A inflação subjacente, que exclui a energia e os alimentos, chegou aos 4% no mês passado, o dobro da meta. Por isso, a decisão não convenceu toda a gente. “Honestamente, soa demasiado pombinha”, disse à Semafor um antigo economista da Fed, usando a gíria dos mercados para uma política monetária branda.
Warsh respondeu às dúvidas com o tom firme que tem marcado o seu mandato. “Se pensam que estamos a tolerar uma meta de inflação algures acima dos 2%, deixem-nos desfazer esse equívoco”, afirmou na conferência de imprensa que se seguiu ao anúncio.
O presidente da Fed sublinhou ainda que os juros mais altos já estão a arrefecer o entusiasmo em torno da inteligência artificial, com os investidores a mostrarem-se mais reticentes em financiar empresas tecnológicas endividadas.