O Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, admitiu que a administração Trump prepara-se para impor tarifas entre 10% e 12,5% a cerca de 60 países acusados de tolerar trabalho forçado, no mesmo dia em que entrou em vigor uma taxa de 25% sobre importações brasileiras e em que Washington defendeu a nova tarifa de 50% sobre produtos canadianos, medidas que surgem à véspera do fim do imposto global temporário de 10% imposto por Trump após a contestação judicial das suas tarifas anteriores.
A administração norte-americana liderada por Donald Trump prepara-se para impor novas tarifas a cerca de 60 países, enquanto altos responsáveis defendem publicamente a taxa de 50% já anunciada sobre produtos canadianos e uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras entra em vigor à meia-noite desta quarta-feira.
“Esperamos ver alguma acção em breve”, afirmou esta terça-feira o Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, em declarações à CNBC, questionado sobre uma notícia do Financial Times segundo a qual tarifas entre 10% e 12,5% estarão a ser preparadas para dezenas de países já esta semana.
Segundo Greer, as novas tarifas — a aplicar ao abrigo da Secção 301 da Lei do Comércio de 1974 — surgem como resposta a práticas de “trabalho forçado” identificadas em cerca de 60 economias que, segundo Washington, não proíbem ou não fiscalizam de forma eficaz a entrada de bens produzidos nessas condições. Entre os países visados por estas investigações comerciais contam-se a China, a União Europeia, Singapura, Suíça, Noruega, Indonésia, Malásia, Camboja, Tailândia, Coreia do Sul, Vietname, Taiwan, Bangladesh, México, Japão e Índia. Segundo o responsável, as novas tarifas poderão abranger “cerca de 99% do comércio” dos Estados Unidos.
Greer recusou-se a precisar quando entrarão em vigor as novas taxas, alegando necessidade de informar previamente o Congresso norte-americano — devendo testemunhar já esta quarta-feira perante a Comissão de Finanças do Senado.
Canadá acusa Washington de violar acordo comercial
Quanto às relações com o Canadá, Greer reiterou que “sempre houve questões comerciais” entre os dois países, numa altura em que Washington anunciou, na segunda-feira, uma tarifa de 50% sobre um vasto conjunto de produtos canadianos, avaliados em cerca de 20 mil milhões de dólares, com entrada em vigor prevista para 19 de Agosto. A medida, aplicada ao abrigo da Secção 338 da Lei Pautal de 1930, surge como resposta a tarifas de retaliação impostas por Otava sobre aço, alumínio, bebidas alcoólicas, lacticínios e automóveis norte-americanos.
O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, acusou os Estados Unidos de violar o acordo comercial norte-americano (USMCA), mas manifestou disponibilidade para “intensificar” as negociações com Washington nas próximas semanas, após um contacto telefónico com Trump. Greer, por seu turno, considerou que as propostas canadianas se resumem, na maioria dos casos, a “promessas de discutir estas questões” ou a medidas que os Estados Unidos “já aplicam”.
Tarifa sobre o Brasil entra em vigor
Em paralelo, entra em vigor à meia-noite uma tarifa de 25% sobre a generalidade das importações provenientes do Brasil, medida que abrange milhares de produtos — incluindo etanol — e que deverá afectar cerca de 10 mil milhões de dólares em trocas comerciais, o equivalente a cerca de um quinto do total das exportações brasileiras para os Estados Unidos. A decisão tem sido alvo de fortes críticas por parte de Brasília.
Fim do imposto global temporário de 10%
As novas medidas surgem numa altura em que expira, esta sexta-feira, a tarifa global temporária de 10% que Trump havia imposto após o Supremo Tribunal dos Estados Unidos ter derrubado parte das suas tarifas anteriores, em Fevereiro. Segundo analistas citados pela imprensa internacional, a nova ronda de tarifas sob a Secção 301 poderá enfrentar igualmente contestação judicial, embora esse processo deva demorar meses.
Greer viaja ainda esta semana para o México, entre quarta e sexta-feira, no âmbito da revisão conjunta do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), num momento em que as negociações com Otava avançam a um ritmo mais lento do que as mantidas com a Cidade do México.