Mercados Financeiros

Fundo Soberano de Angola entra no capital da primeira central privada de informação de crédito

O Fundo Soberano de Angola (FSDEA) passa a ser accionista de referência do Bureau, a primeira central privada de informação de crédito licenciada no país, que pretende usar o novo parceiro para alargar a actividade junto de bancos, seguradoras e operadores de telecomunicações.

O Bureau anunciou na segunda-feira a entrada do Fundo Soberano de Angola (FSDEA) na sua estrutura accionista. A operação deverá permitir à primeira central privada de informação de crédito licenciada no país alargar a sua actividade junto das instituições financeiras.

A parceria resulta de um Acordo de Subscrição assinado entre as duas instituições a 4 de Junho e marca, segundo o comunicado da empresa, o início de uma nova fase de consolidação e crescimento. O comunicado não revela a dimensão da participação nem o valor do investimento.

Com o FSDEA como accionista de referência, o Bureau diz reforçar a sua governação corporativa. Está prevista a entrada de um administrador designado pelo fundo no Conselho de Administração.

Três prioridades até 2028

A presidente do Conselho de Administração, Adriana Dias, explicou que nos próximos dois anos a empresa vai concentrar-se em três frentes: a modernização da plataforma tecnológica, o alargamento da rede de instituições parceiras e o lançamento de um catálogo de produtos para cada segmento do mercado.

O catálogo inclui relatórios de crédito, pontuação de risco, monitorização de carteiras, estudos e indicadores de mercado e serviços de auto-consulta para cidadãos e micronegócios. O Bureau vai ainda promover acções de literacia financeira sob o lema “Conhecer para decidir melhor”.

A central recolhe, trata e analisa informação sobre o comportamento financeiro e de consumo de cidadãos e empresas, para apoiar decisões de crédito mais rigorosas. A empresa diz que, com o novo accionista, ganha uma base sólida para trabalhar com bancos, seguradoras, operadores de telecomunicações, instituições de microfinanças, fintech, investidores, empresas e cidadãos.

Dados da luz, da água e do telemóvel

A actividade das centrais privadas foi possibilitada pelo Decreto Presidencial n.º 275/20, de 21 de Outubro de 2020. O Bureau foi criado em 2021 e recebeu a licença operacional do Banco Nacional de Angola (BNA) em Fevereiro de 2022, quando anunciou também uma parceria com o grupo internacional Creditinfo, especialista em informação de crédito.

Em 2022, foi ainda a primeira central do género a ser licenciada pela Agência de Protecção de Dados, o que lhe permite gerir o histórico de pagamentos relevantes dos consumidores angolanos.

É aí que está a principal diferença face à central pública. A Central de Informação de Risco de Crédito (CIRC), gerida pelo BNA, é alimentada apenas pelas instituições que concedem crédito. Já as centrais privadas podem receber dados de empresas de energia, água e telecomunicações. Na prática, isso permite construir um histórico para quem nunca pediu um empréstimo, mas paga a luz ou o telemóvel.

A operação surge num país onde o acesso ao financiamento continua a ser um dos principais travões ao crescimento das empresas. Segundo o Fundo Monetário Internacional, o crédito bancário ao sector privado rondou os 6% do produto interno bruto em 2024 e 2025. O Fundo Soberano de Angola foi lançado em 2012 com 5 mil milhões de dólares, para investir parte das receitas petrolíferas do Estado.

Foto: PCA do Bureau- Adriana Dias

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