França começa a aplicar, a partir desta terça-feira, 1 de Setembro, um sistema de penalizações à moda ultrarrápida (ultra fast fashion), que poderá resultar em cobranças de 50 cêntimos a 12 euros por peça, com impacto sobretudo em grandes plataformas asiáticas como a Shein e a Temu, segundo a CNN Portugal.
O mecanismo resulta de uma lei aprovada em Julho e considera, entre outros critérios, a dimensão da oferta das empresas e a existência de incentivos à reparação das peças de roupa. Embora as regras não sejam dirigidas especificamente a empresas asiáticas, as autoridades francesas estimam que as principais visadas serão as plataformas chinesas.
A diferença na dimensão das ofertas é um dos factores considerados. A Shein disponibiliza cerca de 1,7 milhões de referências, enquanto a Zara e a H&M apresentam cerca de 20 mil cada, segundo dados citados pelas autoridades francesas. Por essa razão, o impacto sobre as marcas europeias deverá ser reduzido.
As penalizações variam consoante o tipo de peça, começando nos 50 cêntimos para artigos como meias e roupa interior e podendo chegar aos 12 euros para casacos e sobretudos. Em qualquer caso, o valor não poderá ultrapassar 50% do preço de venda do produto.
A cobrança será assegurada pela Refashion, entidade responsável pela aplicação da ecotaxa sobre resíduos têxteis e calçado em França.
O Governo francês pretende ainda trabalhar com as instituições europeias para estender o mecanismo a outros países da União Europeia, numa estratégia de combate ao impacto ambiental da moda ultrarrápida.