Economia

FMI reduz previsão de crescimento global para 3% em 2026

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou esta quarta-feira que a economia mundial deverá crescer apenas 3% em 2026, uma revisão em baixa face às projecções de Abril e abaixo da média dos últimos dois anos, penalizada pelos preços elevados da energia resultantes do conflito no Irão. Na África Subsariana, o impacto é desigual: os países exportadores de petróleo, como Angola e a Nigéria, beneficiam dos preços mais altos do crude, enquanto os importadores líquidos de energia enfrentam pressões acrescidas sobre o crescimento e a inflação.

Segundo o FMI, a economia global evitou uma travagem mais acentuada, em parte graças ao aumento da procura ligada à inteligência artificial, e deverá recuperar para 3,4% em 2027. Ainda assim, a instituição alerta que a incerteza em torno da duração dos preços elevados da energia continua a condicionar as decisões de política monetária a nível mundial — algo bem patente na acta da reunião de Junho da Reserva Federal norte-americana, que revelou divisões entre os responsáveis quanto ao rumo da economia e ao momento certo para cortar as taxas de juro. “Só por si, o petróleo mais barato não vai abrir a porta a cortes”, escreveu o economista-chefe da Apollo, resumindo a cautela que domina os bancos centrais.

Para a África Subsariana, o FMI reviu em baixa a previsão de crescimento para 4,3% em 2026, menos 0,3 ponto percentual do que as estimativas anteriores ao início do conflito no Médio Oriente, depois de a região ter fechado 2025 com um crescimento de 4,5%. A instituição sublinha uma divergência marcada dentro do continente: os exportadores de petróleo registam efeitos positivos directos sobre o PIB devido à subida dos preços do crude, ainda que parcialmente atenuados por efeitos indirectos e por custos de financiamento mais elevados, enquanto os importadores líquidos de energia veem a sua produção a cair até 1,5 ponto percentual em 2026.

A Nigéria, um dos maiores exportadores de petróleo do continente, viu mesmo assim a sua previsão de crescimento revista em baixa, de 4,4% para 4,1%, penalizada pelo encarecimento dos combustíveis, dos fertilizantes e dos custos de transporte marítimo, que travam a actividade não petrolífera. Angola, segundo as projecções de Abril do FMI, deverá crescer cerca de 2,3% em 2026. O Fundo estima ainda que a inflação mediana na região suba de 3,4%, no final de 2025, para 5%, no final de 2026, reflectindo o encarecimento da energia, dos fertilizantes e dos transportes, com riscos acrescidos para a segurança alimentar num continente que continua fortemente dependente de importações agrícolas.

O FMI insiste que os países com menor margem de manobra orçamental e os importadores líquidos de energia são os mais vulneráveis a um eventual agravamento do conflito no Irão, num cenário em que a resiliência global observada até agora poderá não se manter caso as tensões no Médio Oriente se intensifiquem.

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