O Comando Central dos Estados Unidos garantiu, através das redes sociais, que a operação visava proteger a navegação no Estreito de Ormuz. Horas antes, o Presidente Donald Trump tinha afirmado acreditar que o cessar-fogo em vigor há três semanas estava “acabado”.
As forças armadas dos Estados Unidos atacaram o Irão numa nova ronda de ofensivas na noite de quarta-feira, confirmaram responsáveis militares, poucas horas depois de Trump ter declarado publicamente que considerava terminado o cessar-fogo de três semanas entre os dois países.
A comunicação social estatal iraniana noticiou terem sido ouvidas explosões em pelo menos três cidades portuárias na costa sudeste do país. Pouco depois dos ataques norte-americanos, já na madrugada de quinta-feira (hora local), o exército do Kuwait informou estar a intercetar drones e mísseis, enquanto o Ministério do Interior do Bahrein confirmou a ativação de sirenes de alerta, sem esclarecer o que as tinha motivado.
Ambos os países já tinham estado na linha de fogo na madrugada de quarta-feira, quando o Irão afirmou ter atingido bases norte-americanas em território do Kuwait e do Bahrein, em retaliação.
Segundo o exército dos EUA, os novos ataques tiveram como objectivo reduzir a capacidade do Irão de ameaçar embarcações no Estreito de Ormuz, uma via marítima essencial para o abastecimento energético mundial que se tornou um dos pontos centrais do conflito. Trump classificou a ofensiva americana como uma “retribuição” pelos ataques iranianos a navios comerciais, avisando nas redes sociais: “Se voltar a acontecer, vai piorar muito!”
Mais cedo, durante uma cimeira da NATO na Turquia, Trump tinha sido questionado sobre o estado do cessar-fogo com o Irão. “Acho que acabou”, respondeu, acrescentando, no entanto, continuar disponível para negociações e não antecipar um regresso a uma guerra total.
Mohsen Rezaei, conselheiro militar sénior do líder supremo iraniano, reagiu de madrugada aos ataques norte-americanos, avisando nas redes sociais que “o inimigo agressor e os seus cúmplices serão severamente punidos”.
Já a caminho de regresso aos Estados Unidos, Trumpafirmou que o Irão tinha contactado a Casa Branca, dizendo que Teerão “ligou há pouco” e que os iranianos “querem muito fechar um acordo”. O Irão, porém, não confirmou qualquer contacto ou intenção de retomar negociações.
De acordo com fontes próximas do processo, Trumputilizou uma das aeronaves presidenciais mais antigas em vez do novo avião oferecido pelo Qatar, por precaução de segurança relacionada com a retoma das hostilidades — uma decisão tomada a pedido do Serviço Secreto.
Um cessar-fogo frágil desde o início
O acordo de cessar-fogo, firmado no mês passado, revelou-se instável quase desde a sua assinatura, e a mais recente troca de ataques parece tê-lo colocado à beira do colapso total. Os dois lados têm-se acusado mutuamente de violar os seus termos.
A escalada mais recente tem como epicentro o Estreito de Ormuz. O Irão defende que o acordo lhe atribui autoridade de supervisão sobre a via marítima e tem exigido que os navios sigam rotas por si definidas. Washington, por seu lado, acusa Teerão de visar repetidamente embarcações no estreito, ainda que o Irão não tenha reivindicado formalmente a autoria de uma série de ataques recentes.
Os ataques desta madrugada, iniciados perto da meia-noite em Teerão, foram os segundos em dois dias por parte dos EUA em resposta aos ataques contra três navios comerciais no estreito esta semana. Na terça-feira, Washington tinha já revogado uma isenção de sanções ao setor petrolífero iraniano, uma das condições previstas no acordo de cessar-fogo.
O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz voltou, assim, a paralisar. A trégua temporária pretendia reabrir a via marítima e travar os combates, deixando para um período de negociação de 60 dias as questões mais delicadas, nomeadamente o programa nuclear iraniano.
Ainda na quarta-feira, órgãos de comunicação social iranianos próximos das forças armadas publicaram editoriais a pedir “o fim oficial” do acordo. Uma conta nas redes sociais associada a MojtabaKhamenei, filho do líder supremo do Irão, publicou uma imagem manipulada representando uma serpente a emergir da assinatura de Trump no acordo de cessar-fogo.