O representante residente do Fundo Monetário Internacional em Angola, Victor Lledo, alertou que os benefícios financeiros decorrentes da subida internacional do preço do petróleo são temporários e escondem fragilidades profundas da economia angolana, agravadas pela forte dependência das importações de combustíveis e pela pressão inflacionista.
Durante a apresentação do Relatório de Perspectivas Económicas Regionais para a África Subsariana, Victor Lledo reconheceu que Angola está a beneficiar, no curto prazo, do aumento das receitas petrolíferas e de um maior acesso aos mercados financeiros internacionais, como demonstrou a recente emissão de eurobonds.
No entanto, advertiu que estes ganhos “são ilusórios”, porque os custos associados ao actual contexto internacional poderão rapidamente superar os benefícios.
“Os custos implícitos são elevados, assim como os riscos”, afirmou Lledo.
Apesar de ser produtor de petróleo, Angola continua fortemente dependente da importação de combustíveis, produzindo apenas cerca de 30% do que consome internamente. Assim, a escalada dos preços internacionais da energia acaba por aumentar significativamente a factura das importações.
O responsável do FMI chamou ainda a atenção para o aumento dos preços dos fertilizantes, numa fase considerada crítica para a campanha agrícola e para a segurança alimentar do país.
“Somando esses dois factores, vamos ter pressão inflacionista e pressão cambial”, alertou.
Victor Lledo considerou igualmente que a duração do actual conflito internacional representa um dos maiores factores de risco para a economia angolana. Quanto mais prolongada for a crise, maior será o impacto sobre as importações e mais rápida poderá ser a perda de confiança dos investidores internacionais nos títulos angolanos.
Perante este cenário, o representante do FMI deixou três recomendações prioritárias às autoridades angolanas.
A primeira passa pela utilização das receitas extraordinárias do petróleo para reforçar a resiliência da economia, sobretudo através da redução do endividamento interno, embora defendendo também apoio às populações mais vulneráveis.
A segunda recomendação é a manutenção de uma política monetária restritiva — ou mesmo o aumento das taxas de juro directoras — face à persistência da inflação elevada.
Por fim, Victor Lledo apelou à aceleração das reformas estruturais, incluindo a desregulamentação do sector privado, o reforço da governação económica e a consolidação da credibilidade das políticas monetária e fiscal.
O alerta surge numa altura em que Angola continua exposta às oscilações do mercado petrolífero internacional, apesar dos esforços de diversificação económica anunciados nos últimos anos.