Mercado & Finanças

Fitch mantém Angola em B-, com perspectiva estável

A Fitch Ratings, agência de notação financeira, prevê o crescimento médio de 4,6% para os Países de África subsaariana em 2025

A agência de notação financeira Fitch manteve o rating de Angola em B-, com perspectiva estável — abaixo do nível de investimento, na categoria que o mercado designa informalmente como “lixo”. A decisão era esperada, mas a nota que a acompanha adverte: As eleições de 2027 constituem um risco real de derrapagem orçamental.

“A perspectiva estável reflecte a nossa opinião de que os riscos para o rating estão, em geral, equilibrados”, escreve a Fitch, antes de identificar o principal factor de incerteza: a aproximação do ciclo eleitoral. Preços mais altos do petróleo podem gerar receitas extraordinárias e apoiar a consolidação orçamental — mas esse potencial, avisam os analistas, “é contrabalançado pelo risco de derrapagem nas despesas, particularmente no contexto de aproximação das eleições” do próximo ano.

A Fitch não ignora o contexto social. Os protestos de Julho de 2025 contra o preço dos combustíveis são citados explicitamente como sinal do “potencial de agitação social” — e como fator que aumenta a probabilidade de despesas pré-eleitorais em transferências sociais e investimento público. A leitura implícita é clara: um governo sob pressão eleitoral e social tem todos os incentivos para gastar mais do que as contas recomendam.

Ainda assim, a agência espera “ampla continuidade política, independentemente do resultado das eleições” — uma formulação que, no contexto angolano, equivale a dizer que a alternância não está no horizonte dos cenários considerados.

Angola continua abaixo do nível de investimento por razões estruturais que a Fitch enumera sem rodeios: indicadores de governação fracos, inflação elevada, níveis elevados de dívida pública em moeda estrangeira e uma das maiores dependências de matérias-primas entre os países avaliados pela agência. A isto acresce a incerteza sobre a recuperação da produção petrolífera — que “permanece incerta, podendo potencialmente anular alguns dos ganhos” esperados.

Do lado positivo, a Fitch reconhece excedentes da balança corrente e reservas internacionais acima da média dos países com notação equivalente, bem como um rácio de dívida pública em declínio.

Os números que sustentam a estabilidade

O quadro macroeconómico tem elementos favoráveis. A dívida pública, que fechou 2025 nos 51% do PIB, deverá cair para menos de 46% este ano, sustentada por excedentes primários e pelo crescimento do PIB nominal. O excedente da balança corrente deverá “aumentar significativamente em 2026”, face aos 0,4% registados em 2025, à medida que novos campos petrolíferos entram em produção. As reservas internacionais deverão crescer, oferecendo uma almofada externa adequada — mesmo com amortizações de dívida externa entre 3% e 4% do PIB previstas até 2027 e um pico ainda maior em 2028.

Na frente dos preços, a inflação deverá descer dos 12,4% registados em março para 10% no final do ano, sustentada pela estabilidade do kwanza, por uma política monetária restritiva e pelos subsídios aos combustíveis — que protegem os consumidores do impacto direto da volatilidade do petróleo nos preços a retalho.

A nota da Fitch é, no fundo, um retrato de um país que melhorou nos números mas não resolveu os problemas estruturais. A dependência do petróleo continua a ser o calcanhar de Aquiles — e a proximidade das eleições de 2027 transforma essa dependência num risco político imediato. Se os preços do crude ajudarem e a disciplina orçamental se mantiver, Angola pode continuar a reduzir gradualmente a dívida e a estabilizar a economia.

Relacionadas

Keir Starmer está por um fio no número 10 de

Com mais de 70 deputados trabalhistas a exigirem publicamente a

Angola entra no clube africano do diálogo económico e social

O Conselho Económico e Social de Angola (CES-Angola) foi admitido,

Trump propõe suspensão do imposto federal sobre combustíveis para travar

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, esta segunda-feira,