Mercado & Finanças

Falta de talento qualificado preocupa líderes da banca angolana

A escassez de profissionais com competências adequadas está entre as maiores preocupações dos líderes da banca em Angola, numa altura em que o sector enfrenta uma acelerada transformação tecnológica e crescentes desafios de segurança digital. O alerta foi lançado por Tito Tavares, partner da PwC, durante a IV edição da Angola Banking Conference, realizada em Luanda.

Com base num estudo da PwC, Tito Tavares afirmou que os bancos estão a ser obrigados a investir fortemente na formação dos seus colaboradores, devido ao desfasamento entre as competências exigidas pelo mercado e a preparação dos recém-licenciados.

“Formar colaboradores com as competências certas é cada vez mais crítico. Eles não vêm com a devida preparação da faculdade, e as instituições têm de criar programas massivos de formação”, afirmou.

Perante este cenário, várias instituições financeiras estão a apostar na criação de academias internas, parcerias com universidades e programas especializados em áreas como análise de dados, inteligência artificial e cibersegurança. Segundo Tito Tavares, alguns bancos foram mais longe e desenvolveram as suas próprias universidades corporativas.

“Tem sido verdadeiramente transformador para o sector bancário em Angola, porque vai resultar em melhor talento dentro de três, quatro ou cinco anos”, destacou.

A falta de competências surge num momento em que a banca nacional enfrenta desafios cada vez mais complexos. Entre os principais riscos identificados pelo especialista estão as ameaças cibernéticas, a volatilidade macroeconómica e a necessidade de implementar novas tecnologias, como soluções de cloud computing e inteligência artificial.

O responsável alertou ainda para a excessiva dependência de fornecedores externos na condução da transformação digital dos bancos. De acordo com um estudo recente da PwC, entre 80% e 90% da inovação nas organizações é impulsionada com recurso a prestadores de serviços externos.

“É importante que os bancos integrem estas entidades no perímetro de segurança para reduzir os riscos cibernéticos associados”, sublinhou.

Durante a conferência, dedicada ao tema “O Futuro da Banca em Angola: Resiliência, Inovação e Sustentabilidade do Negócio”, Tito Tavares abordou igualmente os desafios do crescimento do sector, defendendo que o aumento da bancarização deve ser uma prioridade estratégica.

Segundo o especialista, a forma mais rápida de expandir o acesso aos serviços financeiros passa pela simplificação dos sistemas de pagamentos móveis. Actualmente, a taxa de bancarização em Angola situa-se em cerca de 36%, um nível que continua abaixo do potencial do mercado. O atalho para aumentar a taxa de bancarização passa por criar um sistema de pagamentos móveis mais simples

 

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