Os Estados Unidos da América (EUA) importaram um volume recorde de 53.290 toneladas de cobre da República Democrática do Congo (RDC) em Julho, fazendo com que o país africano representasse 23,9% do total das importações norte-americanas de cobre nesse mês. As importações totais dos EUA ultrapassaram, pela primeira vez, as 220.000 toneladas. O aumento é significativo face a 2024, ano em que os Estados Unidos importaram menos de 32.000 toneladas de cobre do Congo durante todo o ano, segundo a agência Reuters.
O aumento das compras é parcialmente explicado pelos preços. O cobre congolês não está aprovado para entrega no âmbito dos contratos da COMEX, mas os compradores industriais norte-americanos podem adquiri-lo com base nos preços da London Metal Exchange (LME).
A Reuters noticiou que o cobre proveniente do Congo tem sido normalmente vendido com descontos entre 550 e 800 dólares por tonelada, tornando-o atractivo para os fabricantes norte-americanos de fio-máquina de cobre e de tubos. A melhoria da qualidade do metal e as expectativas de eventuais tarifas norte-americanas também terão levado os compradores a garantir antecipadamente o fornecimento.
Estratégia de Trump para os minerais
O aumento das importações ocorre num momento em que Washington e Kinshasa aprofundam uma relação estratégica assente na enorme riqueza mineral da RDC.
Actualmente, os Estados Unidos obtêm 23,9% das suas importações de cobre na RDC, uma evolução expressiva relativamente às menos de 32.000 toneladas importadas do país africano durante todo o ano de 2024.
Em Dezembro de 2025, os Estados Unidos e a RDC assinaram um Acordo de Parceria Estratégica, destinado a facilitar o acesso estável e de longo prazo dos EUA aos minerais críticos congoleses e a incentivar o investimento na exploração mineira e no processamento.
O acordo reflecte o crescente interesse de Washington por um país que produz enormes quantidades de cobre e cobalto e que dispõe ainda de jazidas de outros minerais considerados importantes para a indústria transformadora avançada, a energia e a defesa.
Os Estados Unidos há muito que consideram o sector mineiro da RDC de importância estratégica. As suas próprias avaliações de investimento descrevem o país como detentor de depósitos excepcionais de cobre e cobalto, enquanto os minerais representam mais de 95% das receitas de exportação da RDC.
Disputa estratégica com a China
A competição estratégica está cada vez mais centrada na China. Empresas chinesas estabeleceram uma posição dominante na indústria mineira congolesa, sobretudo nos sectores do cobre e do cobalto. Paralelamente, a China controla uma parcela significativa da capacidade mundial de processamento de minerais críticos.
Esta realidade torna a RDC importante para os esforços de Washington no sentido de diversificar as cadeias de abastecimento de minerais e reduzir a dependência da China.
Pequim, contudo, continua a ser o principal comprador de cobre da RDC. As importações chinesas provenientes do Congo diminuíram 4,3% nos primeiros sete meses de 2026, mas a China ainda representou 39,4% das exportações de cobre congolesas em Julho, contra 23,9% destinadas aos Estados Unidos.
Os números mais recentes, por isso, não significam que a RDC esteja a substituir a China como principal destino do seu cobre. Revelam, antes, que os Estados Unidos estão a conquistar uma presença cada vez maior num mercado de minerais que Pequim domina há vários anos.