Internacional

EUA e Irão chegam a acordo para cessar-fogo de 60 dias e reabertura do Estreito de Ormuz

O entendimento, anunciado este domingo, abre caminho a negociações mais alargadas para pôr fim a uma guerra que dura há meses e que tem perturbado a economia mundial. A assinatura formal está prevista para sexta-feira em Genebra.

Os Estados Unidos e o Irão chegaram a um acordo que abre caminho ao fim do conflito que, nos últimos meses, fez milhares de mortos, desestabilizou o Médio Oriente e abalou a economia global. O anúncio, feito este domingo, provocou alívio no Irão e na região, e levou a uma queda imediata dos preços do petróleo — em parte porque o acordo prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, via marítima essencial para o abastecimento energético mundial.

O acordo contempla um cessar-fogo de 60 dias e o levantamento de sanções americanas sobre o Irão, dando a ambas as partes mais tempo para negociar o dossier nuclear — o ponto de partida dos ataques americanos e israelitas que desencadearam o conflito e sobre o qual nenhum dos lados mostrou até agora grande disponibilidade para ceder. O texto do acordo, descrito pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano como um “memorando de entendimento”, não foi divulgado de imediato. A assinatura pelos líderes dos dois países está agendada para sexta-feira, em Genebra.

O Presidente Trump anunciou em publicação nas redes sociais que autorizou “a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos” aos portos iranianos. Teerão, por sua vez, declarou que o acordo exige “o fim imediato das operações militares em todas as frentes” — incluindo o Líbano, onde Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irão, continuam em confronto. Israel, que não participou nas negociações, não se pronunciou até ao início desta segunda-feira.

O Líbano constitui um dos nós mais difíceis do acordo: a paz naquele país depende tanto da capacidade dos EUA de pressionar Israel a retirar as suas forças como da cooperação do Irão para conter o Hezbollah. O entendimento esteve em risco na manhã de domingo, depois de Israel ter bombardeado os subúrbios sul de Beirute em retaliação por ataques de foguetes do Hezbollah. Uma ronda de negociações de última hora, liderada pelo Qatar, permitiu desfazer as tensões e o acordo foi fechado na madrugada em Teerão.

A chegada a um entendimento não elimina, porém, os efeitos económicos do conflito. O choque nas cadeias de abastecimento globais e a inflação que a guerra alimentou deverão continuar a fazer-se sentir durante meses. O programa nuclear iraniano — estopim do conflito — continua sem resolução e ficou remetido para uma fase posterior das negociações.

Trump chegará esta segunda-feira a França para a cimeira do G7, onde os líderes dos países mais ricos do mundo deverão discutir a reabertura permanente do Estreito de Ormuz ao abrigo do novo acordo, segundo o Presidente Emmanuel Macron.

 

 

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