Internacional

EUA acusam Alibaba, Baidu e BYD de ligações às Forças Armadas da China

Menos de um mês depois de Trump se sentar à mesa com Xi Jinping em Pequim, Washington acusa três das maiores empresas chinesas do mundo de apoiarem o exército. As empresas rejeitam e ameaçam tribunais.

A cimeira de Pequim de Maio, a primeira visita de Estado de um Presidente norte-americano à China desde 2017, terminou com acordos agrícolas, discursos de apaziguamento e uma fotografia de Trump e Xi ao jantar de gala. Três semanas depois, o Pentágono publicou a actualização anual da sua lista de empresas consideradas ligadas ao complexo militar chinês — e colocou nela a Alibaba, a Baidu e a BYD, três dos nomes mais reconhecidos da economia chinesa global.

A chamada lista “1260H”, publicada esta segunda-feira pelo Departamento de Defesa norte-americano, passa a incluir 188 empresas chinesas. Além das três grandes, entram também a farmacêutica WuXiAppTec, os fabricantes de robôs Unitree e RoboSense, os produtores de semicondutores CXMT e YMTC, e o fabricante de automóveis eléctricos NIO. O Pentágono alega que todas cumprem os critérios legais para serem consideradas entidades associadas às Forças Armadas chinesas com actividade em território norte-americano.

No caso da Alibaba e da Baidu, o argumento é uma alegada ligação à Comissão de Supervisão e Administração de Activos Estatais da China e ao ministério da Indústria e Tecnologia da Informação. Para a BYD — que nos últimos anos se tornou o maior fabricante de carros eléctricos do mundo e avança sobre os mercados europeu e americano — a acusação passa pela sua presença numa zona associada à estratégia chinesa de “fusão civil-militar”.

O que muda na prática

A inclusão na lista não implica sanções imediatas. Mas tem consequências reais: o Departamento de Defesa fica proibido de contratar directamente com estas empresas a partir do final deste mês. A partir de 2027, a proibição alarga-se às aquisições indirectas — o que poderá afectar cadeias de fornecimento inteiras. No ano passado, a Tencent e a CATL já tinham sido adicionadas à mesma lista, num processo que vai abrangendo progressivamente o núcleo das grandes empresas tecnológicas e industriais chinesas.

As empresas rejeitam e ameaçam ir a tribunal

As reacções foram imediatas e vigorosas. A Alibabadeclarou que “não existe qualquer base” para a sua inclusão, negou ser uma empresa militar ou participar em qualquer estratégia de fusão civil-militar e anunciou que vai “tomar todas as acçõeslegais disponíveis”. A Baidu classificou a designação como “completamente infundada” e garantiu que usará “todos os meios disponíveis” para ser retirada da lista. A WuXi AppTec foi mais directa: classificou a inclusão como “claramente errada”, afirmou que não presta serviços ao Exército chinês e que vai contestar a decisão de imediato.

O timing da medida é revelador da tensão permanente entre a diplomacia e a competição estratégica nas relações sino-americanas. A cimeira de Maio produziu resultados modestos — um acordo para retomar compras agrícolas aos níveis anteriores a 2025 — mas deixou por resolver as questões mais difíceis: controlo de exportações de semicondutores, inteligência artificial, soberania digital e o acesso chinês a tecnologia ocidental. O Pentágono, que não participou nas negociações comerciais, seguiu o seu próprio calendário.

Para Pequim, a mensagem é clara: mesmo quando Washington negocia, o aparelho de segurança nacional mantém o seu próprio ritmo. Para as empresas chinesas cotadas em bolsas ocidentais, a lista representa um risco regulatório crescente que as obriga a escolher — ou a tentar provar, perante os tribunais norte-americanos, que não são o que o Pentágono diz que são.

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