Mercado & Finanças

Empresários polacos querem investir no agronegócio angolano, anuncia ministro Isaac dos Anjos

Delegação da Polónia apresentou em Luanda projectos nas áreas agrícola, pecuária e tecnológica, com foco na produção e transformação alimentar.

Uma delegação de empresários da Polónia manifestou interesse em investir no sector do agronegócio em Angola, após encontros realizados em Luanda com o ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos.

Segundo o governante, as propostas abrangem produção agrícola e pecuária, mecanização, tecnologia florestal, transformação de frutas e formação técnica, num conjunto de iniciativas que poderá reforçar a segurança alimentar e atrair investimento estrangeiro para um dos sectores considerados estratégicos da economia angolana.

O interesse surge num contexto em que Angola procura reduzir a dependência das importações alimentares e aumentar a produção interna. Entre os projectos apresentados destaca-se a cadeia de valor da laranja, com aposta na produção de concentrado e polpa industrial, integrando cooperativas locais como fornecedoras, num modelo de ligação entre pequenos produtores e a indústria.

Outro projecto em análise é o desenvolvimento de uma unidade de suinicultura em escala industrial, com capacidade para até 7 mil matrizes e uma produção estimada de cerca de 70 toneladas de carne por dia. A iniciativa poderá contribuir para reduzir importações de proteína animal e dinamizar cadeias associadas, como ração, transporte e distribuição.

Os investidores polacos apresentaram ainda soluções tecnológicas para o sector agrícola e florestal, incluindo produção de vacinas veterinárias, utilização de drones para monitorização, sistemas de irrigação, fertilizantes e mecanização agrícola, numa aposta na modernização da produtividade no campo.

No plano da formação, está igualmente prevista a criação de uma Academia do Agro Polónia–Angola, destinada à capacitação de técnicos, operadores de máquinas, gestores rurais e especialistas pecuários, um componente considerado essencial face à escassez de mão-de-obra qualificada no sector.

Isaac dos Anjos sublinhou que Angola dispõe de terras aráveis, recursos hídricos e localização estratégica para abastecer o mercado interno e reforçar a sua posição na região da SADC, podendo funcionar como plataforma de produção e exportação.

Apesar do interesse manifestado, a concretização dos investimentos dependerá de factores como estabilidade regulatória, infraestruturas, acesso a financiamento, energia e logística. Ainda assim, o Governo considera que a aproximação polaca reforça a atractividade do agronegócio angolano no contexto internacional.

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