O stock da dívida pública situou-se em 62,18 biliões de kwanzas no quarto trimestre de 2025, um aumento de 4% face ao trimestre anterior, segundo o relatório de balanço de execução do Orçamento Geral do Estado (OGE) referente ao período, aprovado pela Assembleia Nacional.
O documento foi aprovado com 94 votos favoráveis do MPLA e 63 votos contra da UNITA. A FNLA, o Partido de Renovação Social (PRS) e o Partido Humanista de Angola (PHA) abstiveram-se, totalizando cinco votos.
O relatório foi apresentado ao plenário pelo secretário de Estado das Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos. Em 31 de Dezembro de 2025, o stock da dívida governamental — que representa 97% do total — situava-se em 60,23 biliões de kwanzas, composto por 28% de dívida interna e 72% de dívida externa, também com um aumento de cerca de 4% face ao trimestre anterior. O stock da dívida das empresas públicas, nomeadamente a petrolífera Sonangol e a transportadora aérea TAAG, cifrou-se em 1,96 biliões de kwanzas, com um aumento marginal de 0,03%.
Em termos de execução orçamental, o quarto trimestre registou receitas de 13,6 biliões de kwanzas, correspondentes a 40% da receita anual prevista, e despesas de 13,4 biliões de kwanzas, equivalentes a 39% da despesa fixada no OGE. Os encargos com juros da dívida, pessoal e bens e serviços lideraram as despesas do período. O resultado foi um superávit orçamental de 218,4 mil milhões de kwanzas. O OGE 2025 foi elaborado e aprovado com base num preço médio de 70 dólares por barril de petróleo, com receitas e despesas estimadas em 34,6 biliões de kwanzas.
O debate parlamentar dividiu as bancadas. Os deputados da UNITA Adriano Sapinãla e Agostinho Kamuango consideraram o relatório “desajustado” e “irrealista” face à realidade do país. A deputada do PHA Florbela Malaquias justificou a abstenção com a “contradição” entre os indicadores financeiros e a realidade social, criticando: “O seu superávit é obsceno se comparado com as carências sociais do país.” Do lado do MPLA, o deputado João Guerra saudou o documento como representando “realidade e sonhos concretizados”, enquanto a deputada Teresa Mulumbila destacou os resultados nos domínios sociais, nomeadamente a construção de sistemas de água e infraestruturas de ensino.