A confiança é, hoje, talvez o activo mais determinante em qualquer mercado competitivo. Mais do que infra- estruturas, mais do que tecnologia, mais do que capital, a confiança é decisiva sobre quem participa, quem avança e quem merece ficar. Como sublinhou recentemente o secretário de Estado das Finanças e Tesouro de Angola, Ottoniel dos Santos, a confiança é “o maior activo em discussão”. Não por acaso: nos mercados internacionais, ganham os melhores — e os melhores são, invariavelmente, aqueles em quem se confia, mesmo (ou sobretudo) em momentos de tempestade.
Num sistema financeiro globalizado, nenhum banco opera sozinho. A interdependência é estrutural e inevitável. E, nesta arquitectura em rede, a confiança é o elemento que permite que tudo funcione: sem confiança, não há transacções; sem transacções, não há investimento; sem investimento, não há desenvolvimento económico. Não há melhoras.
É por isso que o regresso em 2025 de bancos correspondentes internacionais — como o JPMorgan e o Deutsche Bank — não deve ser lido apenas como um progresso técnico de somenos. É um sinal de reposicionamento reputacional.
Não falamos de casos isolados: instituições europeias e internacionais que trabalham directamente com Angola reconhecem haver uma base sustentável de credibilidade no sistema financeiro angolano e uma equivalência ou adequação de processos com a banca europeia, reforçando também assim a credibilidade externa do país.
Por exemplo, a melhoria dos indicadores macroeconómicos — como a descida da taxa de referência do BNA ou a aproximação a uma inflação de um dígito — tem sido reconhecida publicamente por analistas e organismos como o FMI.
A isto soma-se o retorno, no ano passado, de correspondentes internacionais directos, permitindo liquidação, compensação e trade finance, um sinal concreto de confiança na componente operacional dos nossos bancos. Mas, como bem referiu o governante, o verdadeiro teste não está no número de correspondentes: está na capacidade de transformar essa confiança em investimento real, empresas mais competitivas, emprego mais qualificado e melhores oportunidades para os (felizmente muitos) jovens angolanos.
Correspondência bancária: desconfiança não entra
Um banco correspondente é o resultado, antes de tudo, de uma relação de confiança: uma instituição aceita operar em nome de outra num mercado onde esta não tem presença própria. É uma ponte — e nenhuma ponte é construída sem garantias efectivas, sólidas.
O princípio é simples: um banco internacional assume riscos por outro (o nosso) quando (e se) acredita plenamente na sua capacidade de cumprir prazos, regras, gerir riscos e manter padrões de conformidade e transparência. Esta relação, que é de confiança, não se compra e também não se decreta. Conquista se. Passo a passo, desafio a desafio, com trabalho. Sem falhas sistémicas, sem desculpas.
Sem confiança, não há correspondentes. E sem correspondentes, não há verdadeira integração financeira global dos nossos bancos e empresas.
Um sector que evoluiu — e que é de confiança
O restabelecimento gradual das relações internacionais da banca nacional não surgiu por acaso. Resulta de reformas exigentes, de um reforço da supervisão e regulação do mercado, da melhoria dos padrões de compliance, do combate persistente ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, do fortalecimento institucional e da consolidação da estabilidade macroeconómica. É um percurso longo, mas decisivo para o país.
Hoje, o sector bancário angolano transmite mais confiança — e isso é reconhecido externamente. Mas a confiança não é um estado permanente: é um processo. Exige consistência, continuidade e – não menos importante- compromisso.
Confiança: mais de metade do caminho andado
Num mercado competitivo, confiança é vantagem. É reputação convertida em oportunidade. E, para Angola, este é o momento de transformar confiança em investimento, investimento em competitividade e competitividade em crescimento sustentável.
A confiança não substitui o trabalho — mas amplifica o seu efeito. No contexto da internacionalização da banca angolana, realmente, ela é mais do que um tema: é a condição essencial para consolidar a integração do país na economia mundial.
Se o sector financeiro mantiver este percurso, o caminho não estará apenas meio andado — estará bem orientado.
Seguimos juntos.