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Confiança nas notícias cai para o nível mais baixo em dez anos e plataformas digitais ultrapassam os media tradicionais

O Digital News Report 2026, do Reuters Institute, revela um cenário de ruptura: menos de quatro em cada dez pessoas confiam nas notícias, os jovens nunca leram um jornal e o YouTube já compete com a televisão.

A confiança nas notícias atingiu o nível mais baixo desde que o Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) começou a medir este indicador, em 2015. Segundo a 15.ª edição do Digital News Report (DNR2026), divulgada esta semana, apenas 37% dos inquiridos em 48 mercados afirmam confiar na maioria das notícias na maior parte do tempo — uma queda que coincide com uma transformação profunda nos hábitos de consumo de informação a nível global.

Os EUA lideram a desconfiança

O caso americano é o mais extremo. Apenas 25% dos norte-americanos dizem confiar nas notícias — menos cinco pontos do que em 2025 —, e esse número cai para 15% entre os americanos de direita. As principais marcas jornalísticas do país não ficaram imunes: a CBS News e a Fox News perderam dez pontos de confiança em relação ao ano anterior, e a CNN caiu seis. Os declínios mais acentuados a nível global registaram-se nas Filipinas (-10 pontos), Irlanda (-9) e Tailândia, Peru e Polónia (todos com -8).

As plataformas vencem os media

Pela primeira vez, as redes sociais e as plataformas de vídeo ultrapassaram os sites, aplicações e canais de televisão das empresas de media como principal forma de acesso a notícias a nível global. A tendência atravessa todas as faixas etárias — com excepção dos maiores de 55 anos —, e os dados “sugerem que é improvável que o público mais jovem adquira os hábitos de consumo de notícias dos seus pais”. Mais de metade (56%) dos jovens entre os 18 e os 24 anos nunca leu um jornal regularmente

O vídeo é o formato em ascensão: 77% da amostra global consome vídeos de notícias online todas as semanas, mas esse crescimento não beneficia os media. O consumo de vídeo nos sites e aplicações das marcas jornalísticas caiu cinco pontos percentuais desde 2025 e dez pontos desde 2021. São o YouTube, o Instagram, o TikTok e o Facebook os destinos escolhidos — e não as plataformas dos próprios meios de comunicação.

O YouTube merece destaque particular: um quarto dos seus utilizadores que seguem notícias assiste a vídeos com mais de 20 minutos, um quinto acede à plataforma para ver transmissões em directo, e 27% vê notícias em YouTube nas suas televisões inteligentes — sugerindo que a televisão não desapareceu, mas mudou de suporte.

A IA como nova fonte de informação

O relatório assinala ainda o crescimento dos chatbots de inteligência artificial como fonte de notícias. O uso semanal aumentou de 7% para 10% globalmente, com penetração de 16% entre os menores de 35 anos. Quem acede a notícias através de IA tende a ser, segundo o estudo, um consumidor altamente envolvido com a actualidade.

O DNR2026 foi elaborado a partir de um inquérito realizado entre o final de Janeiro e o início de Fevereiro, junto de 97.520 adultos em 48 mercados, com cerca de 2.000 respondentes por país, incluindo Portugal, Brasil, Angola (através de mercados africanos como Nigéria, Quénia e África do Sul) e a maioria das economias europeias e asiáticas de referência.

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