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BYD diz que pode destronar a Toyota como maior fabricante automóvel do mundo sem precisar do mercado dos EUA

A BYD pode ultrapassar a Toyota e tornar-se a maior fabricante automóvel do mundo em vendas dentro de cinco anos sem sequer precisar de acesso ao mercado norte-americano, segundo a responsável que lidera a expansão internacional do grupo chinês. “Acho que ele estabeleceu esta meta ambiciosa [de a alcançar] com o nosso próprio crescimento orgânico. Não precisamos do mercado dos Estados Unidos para lá chegar”, afirmou Stella Li, vice-presidente executiva da BYD, em declarações ao Financial Times.

As palavras de Li surgem semanas depois de Wang Chuanfu, fundador e presidente executivo da BYD, ter surpreendido os concorrentes ao anunciar um plano para arrebatar a coroa de maior fabricante automóvel do mundo à japonesa Toyota dentro de cinco anos, através de avanços rápidos na tecnologia de carregamento e de um crescimento internacional “explosivo”. Segundo Wang, a estratégia passa por reforçar a presença da marca em mercados como a Europa, a América Latina, o Sudeste Asiático e a Austrália — sem depender dos Estados Unidos, onde as tarifas elevadas sobre veículos fabricados na China têm travado a entrada de marcas chinesas.

Os números mostram a dimensão do desafio: no ano passado, a BYD vendeu 4,55 milhões de veículos em todo o mundo, menos de metade dos 10,5 milhões vendidos pela Toyota (excluindo as marcas Daihatsue Hino). Para 2026, a BYD projecta vendas globais entre 5 e 5,5 milhões de veículos eléctricos e híbridos plug-in, dos quais 1,5 milhões fora da China. No primeiro semestre deste ano, a empresa vendeu 1.777.321 automóveis a nível mundial, uma queda de 16,1% face ao período homólogo, penalizada sobretudo pela quebra de 45,9% nas entregas no mercado doméstico chinês — uma tendência que a empresa espera compensar com o crescimento sustentado das vendas internacionais.

Segundo Stella Li, a BYD não precisa de adquirir outros fabricantes para atingir a meta e destronar a Toyota, ainda que a executiva não tenha excluído a possibilidade de, no futuro, a empresa vir a comprar marcas europeias de luxo caso surja uma oportunidade adequada — não havendo, para já, qualquer alvo de aquisição identificado.

A declaração surge poucos dias depois de a BYD anunciar ter atingido a marca acumulada de 17 milhões de veículos eléctricos e híbridos plug-in produzidos, um marco alcançado apenas seis meses depois de ter chegado aos 15 milhões — um ritmo de crescimento que contrasta com os quatro anos e meio que a empresa levou a produzir o seu primeiro milhão de unidades, em Maio de 2021.

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