Mercado & Finanças

Bolsas sobem e petróleo cai mais de 4% com perspectivas de acordo entre os EUA e o Irão

As principais bolsas mundiais subiram esta segunda-feira e o petróleo afundou mais de quatro dólares por barril depois de DonaldTrump ter afirmado que as negociações para pôr fim à guerra com o Irão estão a progredir. Os mercados antecipam um possível acordo que incluiria a reabertura do Estreito de Ormuz — fechado desde o início do conflito —, o que aliviaria a pressão sobre os preços do crude que se tem acumulado ao longo dos últimos meses.

Na Europa, a bolsa de Paris subiu 1,1%, Frankfurt avançou 1% e Londres ganhou 0,2%. A sessão nos Estados Unidos esteve encerrada por ser feriado do Memorial Day.

Na Ásia, o índice Nikkei japonês foi o maior beneficiado, com uma subida de 2,9% para os 65.158 pontos — o maior ganho do dia entre as principais praças mundiais. Xangai avançou cerca de 1% e a bolsa australiana subiu 0,4%.

Donald Trump descreveu as negociações com o Irão como a decorrer “de forma ordenada e construtiva”. Em paralelo, fontes regionais disseram à AssociatedPress que os Estados Unidos estão próximos de um acordo que poria fim à guerra, reabriria o Estreito de Ormuz e implicaria a entrega por parte do Irão do seu arsenal de urânio altamente enriquecido.

A reabertura do Estreito de Ormuz é o dado que os mercados energéticos mais aguardam. O encerramento da via marítima — por onde transita habitualmente uma parcela significativa das exportações mundiais de petróleo e gás — impediu os petroleiros de sair do Golfo Pérsico e entregar crude aos clientes. O Japão, que importa quase todo o petróleo que consome, em grande parte através do estreito, é um dos países mais diretamente afetados.

Petróleo em queda, dólar a enfraquecer

O barril de crude de referência norte-americano caiu 4,77 dólares — mais de 4% — para 91,83 dólares. O Brent, referência internacional, recuou 4,86 dólares para 98,68 dólares por barril. O dólar enfraqueceu face ao iene e o euro subiu para 1,1644 dólares.

“Os mercados estão a transitar rapidamente de uma lógica de medo geopolítico para uma lógica de dividendo de paz, à medida que as expectativas de reabertura de Ormuz pressionam em baixa o petróleo e o dólar”, disse o analista Stephen Innes.

O que ainda preocupa

Apesar do optimismo desta segunda-feira, as preocupações com a inflação não desapareceram. A guerra prolongou-se mais do que os mercados antecipavam, e os seus efeitos sobre os preços da energia e de outros bens continuam a fazer-se sentir. Os resultados recentes de empresas norte-americanas — que superaram as expectativas dos analistas — têm dado algum suporte às bolsas, mas o cenário permanece frágil enquanto um acordo formal com o Irão não for confirmado.

Na sexta-feira, o S&P 500 tinha subido 0,4%, o DowJones 0,6% e o Nasdaq 0,2% — sinais de que o otimismo já vinha a construir-se antes das declarações de Trump desta segunda-feira.

 

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