Sessão especial na BODIVA marca o culminar do processo de privatização parcial da operadora, que colocou à venda 15% do seu capital social
A Unitel realiza esta segunda-feira, 27 de Julho, uma sessão especial de bolsa para o apuramento dos resultados da Oferta Pública de Venda (OPV) de até 7.500.000 acções ordinárias, correspondentes a 15% do capital social da empresa, disponibilizadas ao público desde o passado dia 6 de Julho.
A operação, aprovada pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC) e conduzida na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), é considerada a maior Oferta Pública Inicial de sempre no mercado bolsista angolano, e o primeiro processo deste género em toda a África este ano, segundo declarações do presidente do Conselho de Administração do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), Álvaro Fernão.
Um processo com preço a definir entre 36.036 e 40.040 kwanzas por acção
As acções colocadas à venda, detidas pelo Estado angolano através do IGAPE, no âmbito do Programa de Privatizações (PROPRIV), foram disponibilizadas com um preço indicativo entre 36.036 e 40.040 kwanzas por unidade. O período de aceitação decorreu entre 6 e 24 de Julho, com 2% do capital social reservado aos trabalhadores da Unitel e os restantes 13% destinados ao público em geral.
O preço final da operação — único para todos os destinatários — é fixado com base no valor para o qual a procura no âmbito da oferta dirigida ao público em geral iguale ou exceda a oferta disponível, dentro do intervalo definido. É precisamente esse valor, juntamente com o número de acçõesefectivamente colocadas e a taxa de rateio aplicada aos investidores, que deverá ser conhecido na sequência da sessão especial de bolsa desta segunda-feira.
A liquidação financeira da operação está prevista para 28 de Julho, com a admissão da totalidade das acções da Unitel à negociação no Mercado de Bolsa da BODIVA agendada para 29 de Julho — data em que a operadora passará, oficialmente, a integrar o mercado accionista angolano como sociedade de capital aberto.
Forte procura antecipada pelos analistas
Ao longo do processo, responsáveis ligados à operação manifestaram expectativas elevadas quanto à adesão dos investidores. “O nosso sentimento, e olhando para aquilo que têm sido os últimos meses, é de uma forte procura pelas acções da Unitel. Temos sido contactados por muitos investidores, muitos a título individual, particulares, corporativos e até institucionais, que têm interesse em investir nas acções da Unitel”, afirmou, durante o lançamento da oferta, o responsável Paulo Graça.
Com apenas 15% do capital em colocação, face à dimensão da empresa e ao interesse manifestado por investidores particulares e institucionais, o mercado chegou mesmo a antecipar uma procura superior à oferta disponível — o que levaria a um rateio significativo das ordens de compra, reduzindo o número de acções atribuídas a cada subscritor.
O impacto da operação fez-se sentir, aliás, ainda antes do apuramento dos resultados: entre 23 de Junho e 13 de Julho, praticamente todas as empresas já cotadas na BODIVA registaram desvalorizações nas suas acções, um movimento que analistas associaram à realocação de liquidez dos investidores para financiar a subscrição da OPV da Unitel, e não a uma perda de confiança no mercado. A ENSA foi a mais penalizada, com uma queda acumulada de 18%, seguida do Banco Caixa Geral Angola, com menos 14,5%; o BAI perdeu 6,9%, enquanto o BFA e a própria BODIVA registaram quedas mais moderadas.
Uma operadora com 25 anos e mais de 21 milhões de clientes
A Unitel, actualmente detida a 50% pelo Estado angolano — através do IGAPE — e a 50% pela Sonangol, através da MS Telecom e da PT Ventures, é uma das maiores e mais relevantes empresas da economia angolana. Com mais de 21 milhões de clientes e cobertura em todo o território nacional, a operadora consolidou-se, ao longo dos seus 25 anos de actividade, como líder do sector das telecomunicações e um dos principais motores da transformação digital do país.
Com a conclusão desta OPV, a Unitel torna-se a primeira empresa do sector das telecomunicações a integrar a Bolsa de Dívida e Valores de Angola, que até agora contava apenas com empresas do sector financeiro — três bancos, uma seguradora e a própria BODIVA — entre as sociedades cotadas no mercado accionista nacional. A operação permite ainda que milhares de angolanos deixem de ser apenas clientes da operadora, passando também a ser seus accionistas, num passo simbólico para o aprofundamento do mercado de capitais angolano.