Mercado & Finanças

BNA reúne esta semana com inflação abaixo da meta, mas guerra no Médio Oriente trava corte de juros

O Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Nacional de Angola reúne-se esta semana, nos dias 13 e 14 de Maio, para definir o rumo da política monetária para os próximos 45 dias. O momento é tecnicamente favorável a um novo corte de juros — a inflação caiu abaixo da própria meta do banco central —, mas o contexto internacional complica o cálculo. A guerra no Médio Oriente paira sobre a decisão como o principal argumento para a cautela.

A reunião técnica, reservada aos membros do comité, realiza-se à porta fechada na quarta-feira. As decisões serão apresentadas ao público em conferência de imprensa na quinta-feira, num formato que o BNA mantém para assegurar transparência e previsibilidade.

Os números mais recentes do Instituto Nacional de Estatística dão ao BNA uma margem que não tinha há muito tempo. A inflação homóloga fixou-se nos 11,58% em Abril — o valor mais baixo desde Junho de 2023 —, já abaixo da meta de 13,5% projetada pelo próprio banco central para o final do ano e igualmente inferior aos 13,7% previstos pelo governo para o mesmo período. Em condições normais, este seria o cenário ideal para retomar o ciclo de cortes.

O travão chama-se Médio Oriente

As condições, porém, não são normais. O agravamento do conflito no Médio Oriente está a perturbar a economia mundial e a introduzir uma incerteza que os bancos centrais detestam. O Fundo Monetário Internacional já reviu em baixa as previsões de crescimento global para 2026, apontando agora para 3,1%, e alertou para o risco de um novo ciclo inflacionista caso a guerra se prolongue. Para o BNA, que depende fortemente da evolução dos preços do petróleo — e da estabilidade do kwanza que deles resulta —, ignorar este sinal seria imprudente.

Foi precisamente esta lógica que, na reunião anterior, em Março, levou o comité a pausar um ciclo de três cortes consecutivos, mantendo a taxa BNA em 17,5%. A taxa da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez ficou em 18,5% e a da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 16,5%.

A questão que se coloca esta semana é se a queda da inflação abaixo da meta é suficiente para justificar a retoma dos cortes — ou se a prudência face ao exterior volta a vencer o argumento doméstico.

Relacionadas

Fraude digital, criptoactivos e pagamentos instantâneos sob alerta máximo na

Fraudes com recurso a inteligência artificial, circulação de criptoativos, pagamentos

Inflação nos EUA sobe para 3,8% em Abril pressionada pela

A inflação anual nos Estados Unidos acelerou para 3,8% em

Poço Espadarte supera expectativas e produz até 2.500 barris de

Os testes iniciais realizados no poço Espadarte 7ST2, localizado no