O Banco Nacional de Angola (BNA) sinalizou estar disposto a recorrer às reservas internacionais do país para estabilizar o mercado cambial, caso a pressão externa se mantenha — sobretudo num cenário de prolongamento dos choques associados ao conflito no Médio Oriente.
O aviso partiu do governador Domingos Pedro e tem como pano de fundo a meta de inflação fixada pelo banco central para 2026: 13,5%.
A mensagem é clara: o BNA está a acompanhar de perto o mercado cambial e não descarta intervir para evitar desvalorizações bruscas do kwanza que possam alimentar a inflação e comprometer o poder de compra das famílias.
Em paralelo, o banco central continua a usar os instrumentos monetários ao seu dispor — operações de mercado aberto e reservas obrigatórias — para gerir a liquidez no sistema.
Em Angola, as reservas internacionais funcionam como um amortecedor face a choques externos. Uma intervenção cambial pode travar quedas abruptas do kwanza, mas tem um custo: reduz o espaço de manobra futuro se os choques se prolongarem. O contexto não é tranquilizador. No primeiro trimestre de 2026, as reservas internacionais do país recuaram face ao final de 2025, embora se mantenham num nível que ainda cobre vários meses de importações.
Para além da política monetária, o BNA recomendou uma redução dos impostos aduaneiros sobre bens alimentares e fertilizantes — uma medida com dupla lógica: baixar o custo de importação de alimentos e de insumos agrícolas, aliviando simultaneamente a pressão sobre os preços e sobre a segurança alimentar.
No fundo, o BNA está a sinalizar cautela sem revelar urgência. A combinação de política monetária — com a possibilidade de intervenção cambial — e de medidas fiscais sobre importações aponta para uma estratégia de contenção a duas frentes: defender o kwanza e travar a pressão sobre os preços internos. O recado implícito é que o banco central prefere agir de forma preventiva a ter de gerir uma crise cambial já instalada.