Paulo Alves, administrador executivo do BFA, alertou na Angola Banking Conference que o financiamento continua concentrado nas grandes empresas e defendeu maior alinhamento entre o Executivo, o BNA e a banca comercial.
O administrador executivo do Banco de Fomento Angola (BFA), Paulo Alves, defendeu esta quarta-feira a criação de soluções de crédito mais simples e adaptadas às micro e pequenas empresas, reconhecendo que o acesso ao financiamento continua concentrado nas grandes empresas e nos clientes com maior capacidade financeira.
“Provavelmente temos que ser mais criativos para conseguir chegar ao crédito às micro e pequenas empresas, criando produtos mais simples, com modelos de scoring, porque ter dados permite-nos ter informação e tomar decisões”, afirmou Paulo Alves durante a IV Angola Banking Conference, em Luanda.
O responsável considerou que a diversificação das receitas da banca “não é opcional” e que a sustentabilidade do sector depende directamente da diversificação da economia nacional. “Diversificar o país significará também a sustentabilidade da banca, porque não vivemos numa ilha”, sublinhou, defendendo um maior alinhamento entre o Executivo, o Banco Nacional de Angola, os bancos comerciais e os restantes actores económicos.
Paulo Alves rejeitou parcialmente a ideia de que a banca permanece distante do financiamento da economia real, mas admitiu que o sector pode e deve fazer mais — desde que com responsabilidade. “O crédito que não for responsável tem impactos violentos e coloca em causa a sustentabilidade das organizações”, advertiu.
O gestor destacou ainda o Aviso 10 do BNA como um exemplo positivo de política regulatória, considerando que “impactou na economia, na criação de novas oportunidades de investimento, novos empregos e mais impostos”, e concluiu que Angola “está a fazer o caminho no sentido certo”.