Mercado & Finanças

Banco Keve fechou 2025 com metade do activo em crédito à economia real

O Banco Keve encerrou Dezembro de 2025 com cerca de 50% do seu activo aplicado em crédito, no âmbito da estratégia de apoio à economia real em Angola, revelou o administrador executivo da instituição, Sérgio Gama, durante a IV Angola BankingConference. O responsável destacou o apoio prestado a empresas afectadas por atrasos nos pagamentos do Estado e admitiu a existência de limitações regulamentares que condicionam a exposição ao risco e a concessão de crédito.

Falando no painel dedicado ao tema “Futuro da Banca em Angola: Resiliência, Inovação e Sustentabilidade do Negócio”, realizado esta quarta-feira, 27, em Luanda, Sérgio Gama afirmou que o Banco Keve tem mantido uma forte aposta no financiamento à economia, apesar dos desafios do sector.

“Temos acompanhado muito bem os nossos parceiros nesse período muito mais difícil, principalmente aqueles que estão muito directamente ligados ao Estado. O Estado, durante algum tempo, registou alguns atrasos nos pagamentos e, obviamente, nós, bancos, tínhamos de ter esta responsabilidade e essa obrigação [de apoio]”, sublinhou.

O gestor explicou que o banco tem vindo a desenvolver novas formas de apoiar as empresas, sobretudo através do crédito, embora reconheça a existência de constrangimentos regulatórios que limitam a exposição ao risco sem afectar os rácios de fundos próprios exigidos pelo Banco Nacional de Angola (BNA).

“Temos algumas inovações, alguma forma de fazer o negócio do ponto de vista de crédito ou apoio às empresas, mas também temos alguma limitação regulamentar. Temos estado a falar com o BNA sobre como é que podemos enquadrar essa exposição ao risco e, de forma reduzida, com impacto no nosso rácio de fundos próprios”, afirmou.

Segundo Sérgio Gama, o foco do Banco Keve está particularmente direccionado para o segmento empresarial, com especial atenção à concessão responsável de crédito, tendo em conta os critérios de elegibilidade exigidos em determinados sectores.

No caso da agricultura, por exemplo, o banco criou modelos específicos de financiamento adaptados à realidade dos pequenos produtores, muitos dos quais não conseguem cumprir integralmente os requisitos formais de acesso ao crédito.

O administrador executivo detalhou que a instituição acompanha tecnicamente os beneficiários desde o processo de cultivo até à comercialização das culturas, garantindo que os financiamentos sejam posteriormente absorvidos pelos compradores finais, nomeadamente grandes indústrias.

“Garantimos que, depois, esse crédito é absorvido pelos off-takers, os compradores, as grandes indústrias, e que, depois, nos paguem a nós, obviamente, ficando com o diferencial. Ou seja, o banco tem que estar um bocado mais dentro da operação, fazendo uma espécie de banca de investimento (…) para debelar essas fragilidades”, explicou.

A IV Angola Banking Conference foi promovida pela revista Economia & Mercado (E&M), em parceria com a consultora PWC, e reuniu especialistas e responsáveis do sector financeiro para debater os desafios e perspectivas da banca angolana.

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