A banca comercial angolana registou um lucro agregado de 548,4 mil milhões de kwanzas, equivalente a cerca de 601 milhões de dólares, nos primeiros seis meses de 2026, representando um crescimento de 8% face aos 509 mil milhões de kwanzas obtidos no mesmo período do ano passado. Em termos nominais, o sector arrecadou mais 42,8 milhões de dólares em lucros.
Os dados, revelados pelo jornal ‘Expansão’ com base nos balancetes trimestrais individuais das instituições financeiras, abrangem 20 bancos comerciais e consideram exclusivamente a actividade bancária, sem incluir os resultados das subsidiárias e empresas participadas.
O desempenho do sector foi impulsionado, sobretudo, pelo retorno dos investimentos em títulos de dívida pública, pelo crescimento do crédito e das operações cambiais, bem como pela expansão das aplicações no mercado de capitais e em fundos de investimento.
Dívida pública continua a dominar
Os investimentos da banca em títulos de dívida pública aumentaram 19% no período, atingindo 9,4 biliões de kwanzas, mais 1,5 biliões de kwanzas do que no período homólogo. Com este crescimento, o peso dos títulos públicos no total dos activos dos bancos passou de 36% para 37%.
A evolução evidencia a preferência dos bancos por instrumentos de dívida do Estado, em detrimento de uma maior canalização dos recursos para o financiamento directo da economia.
Paralelamente, as aplicações em bancos centrais e em fundos de investimento cresceram 12%, para 2,8 biliões de kwanzas, passando a representar cerca de 11% da carteira de activos do sector.
BFA recupera liderança
O Banco de Fomento Angola (BFA) voltou a ocupar o primeiro lugar entre os bancos mais lucrativos. A instituição registou um resultado líquido de 117,3 mil milhões de kwanzas, um crescimento de cerca de 2% em relação ao primeiro semestre de 2025.
Na segunda posição aparece o Banco Angolano de Investimentos (BAI), com 116,9 mil milhões de kwanzas. Apesar de continuar entre os bancos mais rentáveis do país, o BAI registou uma queda de 34% nos lucros, contribuindo para limitar o crescimento global do sector.
O Standard Bank Angola apresentou igualmente um desempenho positivo, com o resultado líquido a subir 19%, de 70,9 mil milhões para 84,3 mil milhões de kwanzas.
O BCI registou também uma evolução favorável, elevando o lucro para 32,8 mil milhões de kwanzas, enquanto o Banco Sol apresentou uma das maiores taxas de crescimento, com os resultados a dispararem 1.848%, para 12,3 mil milhões de kwanzas.
Banco Económico regressa aos lucros
Uma das principais mudanças no desempenho do sector foi o regresso do Banco Económico aos resultados positivos. A instituição apresentou um lucro de 39,1 mil milhões de kwanzas, depois de ter registado prejuízos de 673,3 milhões de kwanzas no primeiro semestre de 2025.
Apesar da recuperação dos resultados, o banco continua em situação de falência técnica. No final do primeiro semestre, apresentava fundos próprios negativos de 638,5 mil milhões de kwanzas.
Rentabilidade ainda concentrada
No conjunto, 15 dos 20 bancos comerciais analisados registaram crescimento dos lucros no primeiro semestre. Contudo, a rentabilidade permanece fortemente concentrada nas maiores instituições.
O BFA e o BAI, por exemplo, obtiveram conjuntamente cerca de 234,2 mil milhões de kwanzas, correspondentes a aproximadamente 43% do lucro total da banca comercial no período.
Os resultados mostram, assim, um sector bancário mais rentável, mas ainda fortemente dependente do mercado de dívida pública e de outras aplicações financeiras. O desafio continua a ser transformar parte dessa capacidade de geração de lucros em maior financiamento à economia real, sobretudo através da concessão de crédito às empresas e às famílias.