Angola ocupava, em Junho de 2026, a quinta posição entre os países africanos com maior crédito em dívida junto do Fundo Monetário Internacional (FMI), com cerca de 2,304 mil milhões de dólares, segundo dados do FMI divulgados pela publicação‘Business Insider Africa’.
O valor coloca o país atrás do Egipto, Costa do Marfim, Quénia e Gana, num ranking que evidencia o peso que o financiamento do FMI continua a representar para várias economias africanas.
O Egipto liderava a lista, com 7,245 mil milhões de dólares em crédito pendente, seguido pela Costa do Marfim, com 3,566 mil milhões, e pelo Quénia, com 2,873 mil milhões. O Gana, com 2,727 mil milhões, ocupava a quarta posição.
Angola, com 2,303,708,345 dólares, ocupava a quinta posição e representava cerca de 10% da dívida acumulada pelos dez países do ranking, que, em conjunto, tinham mais de 27,7 mil milhões de dólares em crédito pendente junto do FMI.
Na 6ª posição queda-se a RDC com US$ 2,197 mil milhões, 7ª Etiópia com US$ 1,765 mil milhões, 8ª Tanzânia com US$ 1,336 mil milhões, 9ª Zâmbia com US$ 1,272 mil milhões e 10ª Camarões com US$ 1,153 mil milhões.
Reflexão sobre a posição de Angola
A posição de Angola ganha particular relevância por se tratar de uma economia fortemente dependente das receitas petrolíferas. A volatilidade do preço do petróleo e a necessidade de diversificação económica condicionam a capacidade do Estado para gerar receitas estáveis e cumprir as suas obrigações financeiras.
A dívida ao FMI, contudo, não deve ser confundida com a dívida pública total de Angola. O indicador utilizado pela ‘Business Insider Africa’ corresponde ao “IMF Credit Outstanding”, ou seja, o crédito do FMI que permanece por pagar. Trata-se apenas de uma parcela do endividamento externo e não representa o total da dívida do Estado angolano.
O ranking mostra também uma alteração significativa face a períodos anteriores. No final de 2024, por exemplo, Angola aparecia em terceiro lugar, com cerca de 2,99 mil milhões de dólares de crédito pendente, atrás apenas do Egipto e do Quénia.
Em Junho de 2026, Angola já tinha descido para a quinta posição, enquanto o seu crédito pendente se situava em cerca de 2,30 mil milhões de dólares. A evolução reflecte não apenas os pagamentos efectuados ao Fundo, mas também a dinâmica dos desembolsos e reembolsos dos diferentes programas de financiamento.