Internacional

Arábia Saudita retoma exportações de petróleo pelo oleoduto Leste-Oeste após ataques com drones

A reabertura da infraestrutura, que contorna o Estreito de Ormuz, acontece num momento em que o barril de Brent se mantém acima dos 100 dólares.

A Arábia Saudita retomou as exportações de petróleo bruto através do oleoduto Leste-Oeste, depois de concluir a reparação dos danos causados por ataques com drones no início deste mês. A informação foi avançada na segunda-feira pela agência Bloomberg, com base numa fonte com conhecimento directo do assunto.

Segundo a mesma fonte, a petrolífera estatal Saudi Aramco esteve a testar o oleoduto e a aumentar a pressão no sistema na semana passada, com o objectivo de restabelecer fluxos significativos até ao fim-de-semana. A Aramco e o Ministério da Energia saudita não responderam de imediato aos pedidos de comentário.

O oleoduto sofreu ataques de drones lançados a partir da província iraquiana de Maysan nos dias 10 e 11 de Setembro, o que levou Riade a encerrar a linha. Os fluxos já atingiram cerca de 3,5 milhões de barris por dia, mas a retoma total poderá levar aproximadamente seis semanas. Durante o período de paralisação, a Aramco organizou cerca de 60 milhões de barris de carregamentos de Setembro e Outubro através de transferências entre navios ao largo de Sohar, em Omã, segundo operadores citados pela Reuters.

A importância desta infraestrutura prende-se com a sua localização. O oleoduto liga a Província Oriental ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, evitando a passagem pelo Estreito de Ormuz. Tem uma capacidade de 7 milhões de barris por dia, dos quais cerca de 2 milhões seguem habitualmente para as refinarias da costa oeste do país, ficando o restante disponível para exportação. Esta rota tornou-se vital durante a guerra com o Irão, ajudando a conter subidas bruscas dos preços do petróleo a nível mundial.

A reabertura poderá aliviar a pressão sobre os compradores que procuram garantir abastecimento. Alguns clientes europeus foram informados de que não receberão crude no próximo mês ao abrigo de contratos de longo prazo. Ao mesmo tempo, a navegação no Golfo Pérsico continua exposta a riscos, com navios alvo de ataques ocasionais, numa altura em que a guerra com o Irão se aproxima do sétimo mês. Os operadores de mercado vão acompanhar quanto petróleo a Arábia Saudita continuará a enviar pelo Estreito de Ormuz à medida que o oleoduto regressa à capacidade total.

Nos mercados, o petróleo foi negociado acima dos 107 dólares por barril na segunda-feira, com os Estados Unidos e o Irão ainda divididos quanto a um acordo que possa pôr fim ao conflito no Médio Oriente.

Para Angola, a evolução do mercado é acompanhada com atenção. O país produz pouco mais de um milhão de barris por dia, e as receitas petrolíferas representam 60% de todas as receitas do Estado, o que torna a economia nacional particularmente sensível às oscilações do preço do crude.

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