O preço do petróleo disparou esta quarta-feira depois de os Estados Unidos terem lançado uma série de ataques ao Irão e revogado a isenção temporária de sanções ao petróleo iraniano, fazendo ruir a trégua frágil que, nas últimas semanas, tinha devolvido alguma estabilidade aos mercados de energia globais. O Brent, referência internacional, chegou a valorizar 5,92%, ultrapassando os 78 dólares por barril — o nível mais alto desde 23 de Junho.
A escalada mais recente surge depois de os Estados Unidos terem responsabilizado o Irão por ataques a três navios comerciais no Estreito de Ormuz — uma acusação também feita pelo Qatar e pela Arábia Saudita. O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) anunciou ter “lançado uma série de ataques poderosos contra o Irão, para impor custos elevados por visar e atacar navegação comercial tripulada por civis inocentes numa via navegável internacional”.
Teerão não reivindicou directamente a responsabilidade pelos ataques aos navios, mas tem avisado repetidamente as embarcações contra tentativas de atravessar o estreito por rotas que não aprovou. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou que Teerão tomará “acções decisivas” para salvaguardar os seus interesses e a sua segurança, classificando a revogação da isenção de sanções como uma “violação flagrante” do memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerão a 17 de Junho.
O Departamento do Tesouro dos EUA tinha autorizado, no mês passado, a venda de petróleo iraniano até 21 de Agosto, no âmbito das negociações mais alargadas com Teerão. Contudo, segundo um comunicado do próprio departamento, essas transacções deixarão de ser permitidas a partir das 4h01 GMT de 17 de Julho, sendo também revogada a autorização para quaisquer novas transacções, incluindo compras ou carregamentos, a partir desta terça-feira.
Tony Sycamore, analista de mercado da IG Australia, notou que a linguagem do memorando de entendimento era deliberadamente vaga quanto ao controlo do estreito e à gestão do tráfego marítimo, com o diferendo entre Washington e Teerão sobre se o estreito é uma via navegável internacional ou, em parte, águas territoriais iranianas, nunca totalmente resolvido. “Ainda não é claro se os ataques desta manhã dos EUA vão travar rapidamente esta nova escalada, ou se o Irão vai optar por continuar a exercer a sua influência sobre o estreito, com acçõesque fiquem aquém de desencadear um conflito mais alargado”, escreveu Sycamore numa nota aos clientes. “No mínimo, isto vai manter os mercados em alerta e sugere que os preços do petróleo encontraram, para já, um novo patamar.”
Já Saul Kavonic, responsável pela investigação em energia da MST Financial, disse esperar que os preços do petróleo se mantenham elevados enquanto persistirem as condições de risco no estreito e se esgotar a libertação de reservas estratégicas de emergência. “O Irão tem toda a intenção de consolidar o seu controlo sobre o Estreito de Ormuz nas próximas semanas, algo inaceitável para os EUA, para muitos países do Golfo e para os clientes globais, e que pode fazer com que a passagem pelo estreito se mantenha abaixo de 50% dos níveis anteriores à guerra durante vários meses, com surtos periódicos de hostilidades”, afirmou Kavonic.