O Governo deverá encerrar o Consulado-Geral de Angola em Nova Iorque, no âmbito das medidas de redução de despesas e reorganização administrativa do Ministério das Finanças, segundo documentos oficiais e fontes ligadas ao processo.
A República de Angola vai encerrar o Consulado-Geral em Nova Iorque no quadro de um conjunto de medidas de contenção financeira e reafectação de recursos humanos no exterior. A decisão integra o novo quadro de pessoal aprovado pelos ministérios da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, das Finanças e das Relações Exteriores.
Embora o encerramento ainda não tenha sido oficialmente formalizado, fontes diplomáticas indicam que os serviços consulares deverão ser transferidos para a Embaixada de Angola em Washington D.C., nos Estados Unidos da América. O plano segue a estratégia de racionalização da rede diplomática angolana, que já levou ao encerramento do Consulado-Geral em Houston, Texas, em 2020.
Além de Nova Iorque, o Ministério das Relações Exteriores poderá avançar com o encerramento de consulados em Macau, China, e Montevideu, Uruguai. Na Europa, está igualmente prevista a redução da actividade do consulado-geral de Angola no Porto, em Portugal, embora sem encerramento definitivo.
A medida tem gerado reacções no sector empresarial angolano no exterior. Em Macau, a Câmara de Comércio de Angola em Macau considerou o eventual encerramento do consulado um “retrocesso” e um “contrassenso” para as relações económicas e comerciais entre Angola e a região administrativa chinesa.
Segundo a organização, o consulado desempenha um papel relevante no apoio às comunidades angolanas e às relações empresariais locais. O presidente da associação, Luís Afonso, recordou que a instituição foi criada em 2017 com o objectivo de reforçar os laços económicos entre os dois territórios.
O novo quadro de pessoal aprovado pelo Executivo prevê a redução de 187 postos de trabalho no serviço diplomático e consular angolano no exterior.