O número de empresas portuguesas a vender bens a Angola caiu quase 17% em quatro anos, mas o valor exportado é cada vez mais assegurado por um pequeno grupo de grandes exportadores — um sinal de que a relação comercial se está a tornar mais concentrada, ainda que continue a crescer em valor.
O número de empresas portuguesas que vendem bens ao mercado angolano passou de 4.225 em 2021 para 3.512 em 2025, uma quebra de 16,9%, depois de ter atingido um máximo de 4.784 em 2022, indicam as estatísticas oficiais em Portugal e consultadas pela Lusa. Só entre 2024 e 2025 saíram 211 empresas do mercado angolano. Entre 2021 e 2025, Angola desceu do quinto para o sétimo lugar entre os destinos com mais exportadores portugueses, representando agora 16,3% do total das empresas exportadoras nacionais, contra 18,8% em 2021.
A redução do número de agentes económicos revela uma forte concentração das vendas: 200 empresas facturam 72% do total, das quais 11 asseguram sozinhas 24,4% das exportações portuguesas para Angola em 2025, e outras 189 respondem por 47,6%. As restantes 2.950 empresas — 84% dos exportadores — realizam apenas 26,7% do valor exportado.
Os dados revelam ainda uma elevada dependência do mercado angolano por parte de muitas destas empresas: 2.020 concentram em Angola mais de três quartos das suas vendas ao exterior, e quase metade (1.635) exporta exclusivamente para este mercado.
As trocas comerciais em 2025
As exportações portuguesas de bens para Angola fixaram-se em 1.090,8 milhões de euros em 2025. As importações portuguesas provenientes de Angola somaram 233,6 milhões de euros, mais do dobro do valor de 2024 (crescimento de 144,4%), resultando num saldo comercial favorável a Portugal de 857,2 milhões de euros.
As máquinas e aparelhos lideraram as exportações portuguesas, com 319,2 milhões de euros (29,3% do total), seguidos dos químicos (137,5 milhões), dos produtos alimentares (119,6 milhões) e dos metais comuns (111,9 milhões). Entre os produtos individuais mais vendidos destacaram-se os vinhos, com 53,7 milhões de euros — mais 21,9% do que em 2024 —, os medicamentos, com 51,5 milhões, e os instrumentos e aparelhos para medicina e cirurgia, com 33,7 milhões, que subiram 35,8%.
Do lado das importações, os combustíveis minerais representaram 83,1% do total, com 194,1 milhões de euros — um aumento de 176,1% —, dos quais 189,4 milhões só em petróleo bruto. Seguiram-se os crustáceos, com 17,8 milhões de euros, e as bananas, com 5,2 milhões.
O arranque de 2026
Dados preliminares apontam para uma subida de 9% nas exportações portuguesas para Angola nos primeiros quatro meses de 2026, para 361,4 milhões de euros, lideradas pelas máquinas e aparelhos (104 milhões), pelos químicos (48,6 milhões) e pelos produtos alimentares (40,7 milhões), seguidos dos metais comuns (36,9 milhões), dos produtos agrícolas (28,6 milhões) e dos instrumentos de ótica e precisão (27 milhões).
As importações portuguesas de Angola, pelo contrário, caíram 83,2% no mesmo período, para 13,9 milhões de euros, sem qualquer importação de combustíveis minerais entre Janeiro e Abril — face aos 71,5 milhões de euros do período homólogo de 2025. Os produtos agrícolas passaram a representar 71,8% das importações portuguesas de Angola neste período.
Portugal manteve-se em 2025 como o segundo maior fornecedor de Angola, mas foi apenas o 23.º cliente do país, absorvendo 0,5% das exportações angolanas, segundo dados do International Trade Centre. A quota portuguesa nas importações angolanas recuou de 11,9% em 2021 para 9,8% em 2025, segundo a mesma fonte — uma tendência que, a par da saída de centenas de pequenos exportadores, sugere que a relação comercial entre os dois países está cada vez mais assente num número reduzido de grandes empresas, e cada vez menos relevante, em termos relativos, para o lado angolano.