Economia

Angola e RDC querem transformar fronteira comum em motor económico regional

O ministro de Estado José de Lima Massano defendeu o reforço da integração económica entre Angola e a RDC, apontando a fronteira comum como um eixo estratégico para dinamizar o comércio, atrair investimento e gerar crescimento sustentável.

O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, afirmou que Angola e a República Democrática do Congo (RDC) pretendem aprofundar a cooperação bilateral e transformar a proximidade geográfica num verdadeiro motor de desenvolvimento económico.

Ao discursar na abertura do 3.º Fórum Económico RDC–Angola, o governante sublinhou que o encontro reflecte “a solidez da cooperação” entre os dois países e a ambição de construir um espaço económico integrado, mais dinâmico e gerador de oportunidades.

Sob o lema “Integração Sub-regional e Desenvolvimento do Comércio Fronteiriço”, Massano destacou a complementaridade das duas economias como uma vantagem estratégica, defendendo a sua tradução em resultados concretos em áreas como segurança alimentar, energia, transportes, logística, inclusão financeira e desenvolvimento de cadeias de valor regionais.

No plano interno, o ministro apontou os avanços das reformas macroeconómicas em Angola, com impacto na estabilização da economia e na melhoria do ambiente de negócios. Segundo referiu, o sector não petrolífero cresceu acima de 5% nos últimos dois anos, o melhor desempenho da última década, refletindo progressos na diversificação económica.

A inflação tem vindo a desacelerar, aproximando-se de um dígito, enquanto as reservas internacionais líquidas estão estimadas em 15,3 mil milhões de dólares, equivalentes a 7,4 meses de importações.

Massano destacou ainda os investimentos em infraestruturas, com a expansão de redes energéticas, estradas, caminhos-de-ferro e aeroportos, essenciais para reforçar a capacidade logística e produtiva do país.

No plano regional, sublinhou o papel de organizações como a SADC, a CEEAC e a Zona de Livre Comércio Continental Africana na redução de barreiras comerciais e no estímulo ao investimento privado.

Dirigindo-se aos empresários, o governante lembrou que Angola e a RDC representam um mercado conjunto de cerca de 170 milhões de pessoas, com um PIB combinado de 190 mil milhões de dólares, mas reconheceu que o comércio formal bilateral — cerca de 600 milhões de dólares por ano — continua aquém do potencial.

Entre os avanços, destacou a entrada em funcionamento do Posto Fronteiriço do Luvo, destinado a melhorar a segurança e formalização das trocas comerciais, e anunciou a intenção de replicar o modelo noutras zonas da fronteira.

No sector financeiro, revelou que bancos angolanos já iniciaram contactos com o Banco Central congolês para operar no país vizinho, facilitando os fluxos financeiros e o investimento.

O ministro sublinhou também os progressos no Corredor do Lobito, considerado estratégico para o transporte de mercadorias entre Angola, RDC e Zâmbia, reforçando a integração logística regional.

Apesar dos desafios, José de Lima Massano reafirmou a determinação política de ambos os países em aprofundar a cooperação económica e criar novas parcerias empresariais, manifestando confiança de que o fórum permitirá identificar soluções concretas para dinamizar a relação bilateral.

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