Angola e o Brasil assinam hoje, terça-feira, dia 15, um Memorando de Entendimento destinado a reforçar a cooperação no sector agropecuário, tendo como principal projecto-piloto a produção de grãos numa área de 20 mil hectares na província angolana da Lunda Norte.
A assinatura ocorre no âmbito da visita de dois dias a Angola do ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, André de Paula, que chega a Luanda acompanhado por uma missão empresarial e institucional. A deslocação dá seguimento ao entendimento alcançado pelos Presidentes João Lourenço e Luiz Inácio Lula da Silva durante o encontro que mantiveram na visita do chefe de Estado brasileiro a Angola, em 2025.
Os dois países pretendem desenvolver um modelo de agricultura tropical em Angola, aproveitando a experiência acumulada pelo Brasil neste domínio e promovendo a transferência de conhecimento, tecnologia e investimento para o sector agrícola angolano.
“Terra Lunda” como projecto-piloto
Um dos principais eixos da cooperação será o projecto-piloto “Terra Lunda”, que prevê a implantação de 20 mil hectares destinados à produção de grãos na Lunda Norte.
De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, a cooperação deverá abranger igualmente a produção de cereais, a pecuária, o melhoramento genético, máquinas e equipamentos agrícolas, estruturas de armazenamento e bioinsumos. Está ainda prevista uma componente técnico-científica, através do aprofundamento da cooperação entre instituições de investigação e desenvolvimento agrícola dos dois países.
O Memorando pretende criar condições para aproximar os Governos, o sector privado, instituições financeiras e mecanismos de garantia, de forma a facilitar a concretização de investimentos brasileiros no sector agropecuário angolano.
O Brasil pretende, neste quadro, partilhar conhecimento e tecnologia desenvolvidos no domínio da agricultura tropical e estimular investimentos capazes de contribuir para o aumento da produção agrícola e para o reforço da segurança alimentar de Angola.
Cooperação já desenvolvida
A nova parceria dá continuidade a diversas iniciativas de cooperação realizadas entre 2023 e 2025.
Durante esse período, a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) capacitou 140 técnicos angolanos em áreas como custos de produção, política de preços mínimos, agricultura familiar e recolha de dados sobre a produção agrícola.
Por seu lado, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) realizou estudos pedológicos e topográficos em três mil hectares na região do Canal do Cafu, no sul de Angola.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) desenvolveram igualmente projectos destinados à futura execução em Angola.
Financiamento e investimento
O Memorando prevê também a criação de condições para facilitar o financiamento dos investimentos agropecuários.
Da parte brasileira, estão previstos esforços para analisar o acesso a linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), do Programa de Financiamento às Exportações do Banco do Brasil e a mecanismos de seguro de crédito à exportação.
Do lado angolano, deverá ser mobilizado o sistema financeiro nacional, bem como mecanismos de garantia destinados a apoiar a entrada de investidores e empresas brasileiras no sector agrícola.
A cooperação poderá ainda abranger o sector dos fertilizantes. O Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil manifestou disponibilidade para apoiar a aproximação do Grupo Opaia ao sector brasileiro de fertilizantes, com o objectivo de identificar potenciais compradores e estabelecer futuros contratos de fornecimento de ureia produzida em Angola.
No caso do Grupo Naval, a missão brasileira pretende igualmente identificar oportunidades concretas para a participação de fornecedores e investidores brasileiros.
A assinatura do Memorando representa, assim, mais um passo no aprofundamento da cooperação económica entre Angola e Brasil, com particular incidência sobre a agricultura, um dos sectores considerados estratégicos para a diversificação da economia angolana e o reforço da produção alimentar nacional.