Num momento em que o gás se afirma como combustível de transição essencial para a segurança energética global, Angola aumentou a produção 2,42% em 2025 e reduziu a queima para apenas 6% do total produzido.
O gás natural voltou ao centro da geopolítica energética mundial. A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 acelerou a procura europeia por fornecedores alternativos, e a instabilidade no Médio Oriente continua a pressionar os mercados. Neste contexto, os países africanos produtores de gás — Angola entre eles — ganharam uma relevância estratégica que há uma década seria difícil de antecipar. Para Luanda, o gás representa também uma oportunidade de diversificação numa economia historicamente dependente do petróleo e exposta à volatilidade dos seus preços.
Os números de 2025 mostram que Angola está a aproveitar esse momento. A produção média diária de gás natural atingiu 2.750 milhões de pés cúbicos padrão (MMSCFD), um aumento de 2,42% face ao ano anterior, segundo dados do Relatório de Gestão da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG). No acumulado do ano, a produção total atingiu 1.003.750 milhões de pés cúbicos.
Igualmente relevante é a redução da queima de gás, que representou apenas 6% da produção total — um indicador ambiental e económico significativo, num sector historicamente criticado pelo desperdício. O índice de aproveitamento fixou-se nos 94%, reflectindo uma gestão mais eficiente do recurso.
A produção está concentrada nos Blocos 0, 15 e 17, responsáveis em conjunto por 78,4% da produção nacional de gás associado. O Bloco 0 destacou-se como o maior produtor individual, com 1.070 MMSCFD, o que permitiu a extracção de 10.248 barris de Gás de Petróleo Liquefeito (LPG), distribuídos entre propano, butano e produção da planta onshore.
Angola LNG: eficiência de 95% e 110 carregamentos
A Angola LNG — a infraestrutura crítica para a monetização do gás nacional e principal veículo de exportação — registou em 2025 uma produção de 53,7 milhões de barris de petróleo equivalente (BOE), com uma média diária de 147,2 mil BOE. A eficiência operacional da planta atingiu 95,48%, com uma taxa de utilização de 89%.
Ao longo do ano foram realizados 110 carregamentos: 73 de gás natural liquefeito (LNG), totalizando 46,1 milhões de BOE, e os restantes distribuídos entre propano (13 carregamentos, 5,2 milhões de barris), butano (17 carregamentos, 3,3 milhões de barris) e condensados (7 carregamentos, 2,2 milhões de barris).
Para Angola, a Angola LNG representa muito mais do que uma linha de exportação. É o instrumento que transforma um recurso historicamente queimado ou reinjectado em receita para o Estado, emprego qualificado e capacidade de atracção de investimento. Num continente onde o acesso à energia continua a ser um dos principais obstáculos ao desenvolvimento, a capacidade de monetizar o gás — e de o fazer com eficiência crescente — posiciona Angola como um actor cada vez mais relevante na transição energética global.