A poucos dias da cerimónia central das comemorações dos 50 anos da Independência Nacional, o Presidente da República, João Lourenço, concedeu uma entrevista à CNN Internacional, onde abordou temas centrais da actualidade nacional e internacional, num balanço entre o percurso feito e os desafios que persistem.
Na entrevista recente à CNN Internacional, concedida numa altura em que se aproxima a cerimónia central das comemorações dos 50 anos da Independência Nacional, o Presidente da República abordou temas centrais da actualidade nacional e internacional — da situação em Angola às relações diplomáticas com a China, a Rússia e os Estados Unidos — e, naturalmente, o significado deste meio século de independência, enquanto tempo de balanço sobre a construção da Nação desde 1975.
“Em 50 anos, se quisermos ser realistas, fizemos muito mais do que o regime colonial português fez em 500 anos — de Infra-estruturas, redes de estradas, produção de energia”, afirmou João Lourenço, reconhecendo, contudo, que “nem tudo está feito” em Angola, mesmo passadas cinco décadas de independência. “Temos os nossos pontos fracos, com certeza”, admitiu.
“Os países dos nossos sonhos são para ser construídos todos os dias. Todos os dias! E com altos e baixos, avanços e recuos”, acrescentou o Chefe de Estado.
João Lourenço reiterou que Angola trabalha para diversificar a economia além do petróleo, embora este continue a ser um dos principais pilares do desenvolvimento nacional.
Sublinhou, contudo, a importância da agricultura e da indústria como sectores essenciais para o progresso do país, destacando a promoção da agropecuária, das pescas e do turismo como áreas prioritárias e menos dependentes do comércio tradicional.
“A diversificação da nossa economia é uma necessidade incontornável. Temos de continuar a assumir a agricultura como base e a indústria como factor decisivo para o nosso progresso”, afirmou o Presidente, reforçando “o foco da governação nas reformas estruturais, no investimento em Infra-estruturas e na modernização”.
A gestão da dívida pública foi outro dos temas abordados. Segundo João Lourenço, a dívida externa situava-se, em 2024, em torno dos 75% do PIB, prevendo-se uma redução para cerca de 62% em 2025.
Angola tem “honrado religiosamente” o serviço da dívida, tanto interna como externa, e conseguiu reduzir o montante global nos últimos anos.
A relação com a China, maior credor de Angola, esteve também em destaque. O Presidente recordou que a dívida foi contraída no período de reconstrução pós-guerra e que actualmente se situa em cerca de 14,9 mil milhões de dólares — o valor mais baixo desde o pico histórico.
Sobre os subsídios aos combustíveis, João Lourenço reconheceu que o choque social provocado pela retirada gradual “não foi totalmente absorvido”, mas considerou que o preço dos combustíveis em Angola continua a ser “dos mais baixos do mundo”, algo “insustentável” para a economia.
O ajuste gradual dos preços, disse, continuará até se aproximarem do valor justo de mercado, pondo fim a preços artificialmente fixados.
No domínio do investimento estrangeiro, o Presidente destacou o objectivo de atrair mais capitais para os sectores industrial, agropecuário, das pescas e do turismo, reduzindo a predominância do comércio. Referiu ainda os investimentos angolanos em Portugal, que no passado tiveram um carácter essencialmente privado, com destaque para a indústria, a banca e os media.
Por fim, João Lourenço sublinhou que o país está atento a potenciais impactos económicos globais adversos e prepara-se para enfrentar eventuais períodos de instabilidade, como as quedas do preço do petróleo registadas no passado, que espera voltar a superar.