Os últimos dados de inflação nos Estados Unidos reforçaram a ideia de que as pressões sobre preços estão a abrandar, o que representa um “alívio” importante para o banco central norte-americano, o Fed.
Segundo o relatório mais recente, a taxa anual de inflação medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI) atingiu aproximadamente 3,0% em Setembro, ligeiramente abaixo das expectativas de 3,1%.
O CPI “core”, que exclui alimentação e energia — categorias mais voláteis — também registou uma subida anual de cerca de 3,0%, abaixo da previsão, e uma variação mensal moderada.
Para o Fed, estes dados são significativos por várias razões: a diminuição das pressões inflacionárias permite ao Fed considerar uma redução das taxas de juro de referência sem o risco imediato de intensificar a inflação. E, de facto, os mercados financeiros já atribuem uma probabilidade muito elevada a um corte de 25 pontos-base na reunião de finais de Outubro (28-29) da comissão de política monetária.
Após um período em que o Fed esteve focado em controlar a inflação elevada, o abrandamento permite que a instituição volte a dar maior atenção ao mercado laboral, que já mostra sinais de desgaste.
Um número de inflação abaixo do esperado fortalece a percepção de que o Fed está no controlo e pode cumprir a sua meta de inflação de cerca de 2%. Ainda que a inflação permaneça acima desse alvo, o abrandamento ajuda a evitar perder terreno em termos de confiança.
Contudo, o cenário não está isento de riscos: embora a inflação tenha abrandado, permanece acima da meta do Fed e o mercado laboral mostra sinais de fragilidade — o que exige que o banco central mantenha vigilância apertada antes de desatar cortes prolongados.