O preço do petróleo está em alta nos mercados internacionais, apoiado pela notícia de que a Índia se comprometeu a deixar de comprar crude russo — segundo declarações de Donald Trump.
A medida, se confirmada, poderá reduzir a oferta global, sobrepondo-se ao impacto das tensões comerciais entre EUA e China e à previsão de desaceleração da procura para 2026 avançada pela Agência Internacional de Energia (AIE).
Durante a madrugada, o preço do barril chegou a subir 1%. Nesta manhã, o West Texas Intermediate (WTI), referência para os EUA, avança 0,96% para 58,83 dólares por barril, enquanto o Brent, referência para Angola, valoriza 0,89% para 62,47 dólares.
Trata-se da segunda sessão consecutiva de ganhos para ambos os “benchmarks”, após um início de semana negativo.
A Rússia é actualmente o maior fornecedor de petróleo da Índia. Na quarta-feira, Trump afirmou que obteve de Narendra Modi o compromisso de suspender as importações de crude russo.
A Casa Branca espera que a China siga o mesmo caminho, numa tentativa de reduzir as receitas russas e aumentar a pressão por um acordo de paz com a Ucrânia.
“Este é um desenvolvimento positivo para o preço do petróleo bruto, uma vez que eliminaria um grande comprador do petróleo russo”, afirmou Tony Sycamore, analista de mercado da IG, à Reuters. Índia e China são os dois maiores importadores de crude russo, produto alvo de várias sanções impostas pela União Europeia, Estados Unidos e Reino Unido, que esta quarta-feira reforçou medidas contra duas grandes empresas de energia russas.
Apesar da tendência positiva, a subida dos preços é limitada pelo aumento inesperado das reservas norte-americanas.
Os “stocks” de crude aumentaram 7,36 milhões de barris na última semana, acima das previsões, de acordo com a American Petroleum Institute (API).
Com o “shutdown” do Governo, o Departamento de Energia dos EUA suspendeu temporariamente a divulgação dos dados oficiais.