O Executivo angolano assinou recentemente, na sede do Banco de Poupança e Crédito (BPC), em Luanda, sete instrumentos financeiros com o objectivo de apoiar o sector agroindustrial.
A cerimónia decorreu no âmbito da reunião da Equipa Económica do Executivo, liderada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.
No domínio da cooperação técnica, o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) assinou um acordo com a empresa Jardins da Yoba para investigação aplicada à agricultura.
Outro memorando foi assinado entre o BDA e o Instituto de Investigação Agronómica do Huambo para promover pesquisas com aplicação directa na agricultura.
No plano financeiro, o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA) e a empresa JF Fonseca formalizaram um acordo de financiamento para a instalação de uma unidade de processamento de polpas de frutas no Pólo Industrial da Catumbela. A iniciativa insere-se no programa de crédito “Transforma Aqui” e visa a utilização da produção local de manga, maracujá e ananás.
O BPC e o FADA lançaram uma linha de crédito denominada “Crédito 50 Anos”, destinada ao financiamento de 50 projetos no setor agropecuário.
O Fundo Soberano de Angola (FSA) assinou dois memorandos de entendimento. O primeiro, com a empresa Noble Group, prevê a implementação de um projecto integrado de produção de açúcar e álcool, orçado em 250 milhões USD.
O projecto inclui uma unidade com capacidade para processar 150 mil toneladas de açúcar por ano e uma destilaria com capacidade para 36 milhões de litros anuais. A operação será instalada nas províncias do Bengo e de Malanje.
O segundo memorando do FSA foi celebrado com a empresa Tropical Green, Fruits and Vegetables, para a instalação de uma unidade agrícola de mil hectares dedicada à produção de abacate para exportação, na província do Huambo. O investimento está estimado em 43,5 milhões de euros.
O director Nacional de Estudo Sócio-económico do Ministério do Planeamento, Domingos Sobrinho, afirmou que os acordos estão alinhados com a estratégia de diversificação da economia e visam o aumento da produção, da produtividade e da criação de empregos.
De acordo com a direcção da JF Fonseca, a unidade a ser instalada no Pólo Industrial da Catumbela terá capacidade para produzir 362 toneladas de polpas por ano, distribuídas entre maracujá (50%), manga (25%) e ananás (25%). O projecto está avaliado em 779 milhões kz e tem como objectivo substituir importações e promover exportações.
A PCA do FADA, Felisbela Francisco, informou que a linha de crédito “50 Anos” iniciará com um projecto piloto, com um valor global de 2,5 mil milhões kz, destinado a 50 empreendedores ou agricultores.
A responsável explicou ainda que o programa “Transforma Aqui”, que beneficia a empresa JF Fonseca, tem como finalidade apoiar o surgimento de unidades industriais de processamento em áreas rurais. O financiamento varia entre 250 milhões kz para microempresas, 400 milhões para pequenas empresas e 800 milhões para médias empresas.
Por fim, o director de estratégia do Grupo Nobel, Carlos Alves, declarou que o projecto assinado com o Fundo Soberano prevê a criação de mais de 10 mil postos de trabalho e a produção anual de 120 mil toneladas de açúcar.