O crédito à habitação em Angola registou um crescimento de 26% em 2024, impulsionado pelo novo enquadramento do Aviso 09/24 do Banco Nacional de Angola (BNA).
A informação foi passada esta terça-feira, 1 de Julho, por Mário Nascimento, presidente da Mesa de Direcção da Associação Angolana de Bancos (ABANC), durante a 3.ª Conferência sobre Sustentabilidade na Banca, realizada em Luanda.
Segundo o responsável, o crédito concedido para habitação aumentou face aos cerca de Kz 281 mil milhões registados no ano anterior.
Embora não tenha detalhado os motivos deste crescimento, apontou que ainda existem constrangimentos a superar, como a morosidade dos processos internos nos bancos, o apetite reduzido das instituições para o financiamento, e factores de ordem regulatória e macroeconómica que afectam a disponibilidade de crédito ao sector real da economia.
O Aviso 09/24 estabelece que as comissões cobradas pelos bancos na concessão do crédito à habitação não devem ultrapassar 1% do valor total concedido.
A norma, no entanto, permite que as instituições ajustem essas taxas com base no risco de crédito de cada cliente e na sua estratégia comercial.
A conferência da ABANC teve como foco a sustentabilidade no sector bancário, com ênfase na criação de uma taxonomia climática e social para Angola — um conjunto de directrizes que visa orientar políticas públicas, regulação financeira e incentivos fiscais com impacto ambiental positivo.
A vice-governadora do BNA, Maria Juliana de Carvalho, reconheceu que o país ainda não dispõe de uma lei específica sobre o tema, mas assegurou que o banco central já conta com um departamento dedicado à matéria e que há intenção de reforçar a regulamentação nos próximos anos.
Na sessão de encerramento, o secretário de Estado para o Investimento Público, Ivan dos Santos, defendeu a importância do financiamento sustentável alinhado aos objectivos de desenvolvimento do país.
Segundo o dirigente, a criação de uma taxonomia nacional ajudará a classificar instrumentos financeiros com critérios ambientais, sociais e de governança (ESG), o que poderá atrair mais investimento, mitigar riscos e promover a transparência no sector financeiro.