O preço do petróleo caiu mais de 2% hoje, segunda-feira, dia 26, com os investidores a ponderarem o risco de novos ataques às infra-estruturas energéticas da Arábia Saudita e os receios de que a manutenção de preços elevados acabe por reduzir a procura mundial.
Os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI), referência norte-americana, recuaram 2,19%, para 101 dólares por barril, enquanto os do Brent, referência internacional, perderam 1,89%, fixando-se em 114,51 dólares por barril.
A descida ocorreu depois de uma forte subida na sexta-feira, na sequência de ataques dos rebeldes Houthis do Iémen contra a Arábia Saudita, que reacenderam os receios de perturbações no abastecimento mundial de energia.
As tensões mantiveram-se elevadas durante o fim-de-semana, depois de os Houthis terem anunciado, no sábado, ataques contra o principal aeroporto da Arábia Saudita, em Riade, e instalações petrolíferas. No domingo, as autoridades sauditas anunciaram ter interceptado novos mísseis e drones.
O reino saudita retomou parcialmente, no domingo, as operações no seu principal aeroporto, apesar dos danos provocados por ataques anteriores, enquanto os Houthisameaçavam realizar novas ofensivas.
A continuidade das hostilidades agravou as preocupações quanto à vulnerabilidade das infra-estruturas energéticas sauditas, com os operadores do mercado cada vez mais atentos ao risco de uma interrupção significativa da produção, da refinação ou das exportações de petróleo.
Em declarações à cadeia de televisão norte-americana CNBC, Michael Alfaro, director de investimentos da Gallo Partners, estimou que a incerteza geopolítica já acrescentou cerca de 20 dólares ao preço de cada barril de petróleo.
Segundo o responsável, um ataque de grandes proporções ao oleoduto saudita Este-Oeste ou a outras infra-estruturas de refinação poderia provocar uma nova subida acentuada dos preços. No entanto, advertiu que novos aumentos poderiam acabar por prejudicar o consumo.
«O que provavelmente veríamos se o Brent ultrapassasse os 120, 130 ou 140 dólares por barril seria uma maior destruição da procura», afirmou Alfaro, referindo-se à redução do consumo em resposta ao encarecimento do petróleo.
Para além da ameaça imediata ao abastecimento de crude, os danos nas infra-estruturas de refinação poderão representar um desafio mais duradouro para os mercados energéticos mundiais.
«O verdadeiro desafio é a capacidade de refinação», afirmou o responsável, alertando que as perturbações poderão transformar-se num problema estrutural de longo prazo, com efeitos que se prolonguem até 2027 e para além desse ano.
Entretanto, a Arábia Saudita prevê começar a armazenar petróleo bruto em Singapura a partir do segundo semestre de 2027, segundo responsáveis pelas pastas da Energia dos dois países. A iniciativa visa reforçar a resiliência da cadeia de abastecimento saudita destinada aos mercados asiáticos.
Nos Estados Unidos, o Departamento de Energia autorizou, na sexta-feira, a libertação de até 400 mil barris da Reserva Estratégica de Petróleo para fazer face a uma interrupção no abastecimento de uma refinaria localizada no Estado do Louisiana.
Ainda assim, as perspectivas de um aumento adicional da oferta por parte dos produtores norte-americanos permanecem incertas. As empresas mostram-se relutantes em assumir grandes investimentos, num contexto marcado pela volatilidade dos preços e pelos riscos geopolíticos.
Alfaro acrescentou que os produtores dos Estados Unidos estão a aumentar ligeiramente o número de plataformas de perfuração, mas continuam cautelosos quanto a uma expansão significativa das despesas de capital.
«Não estamos realmente a assistir a grandes aumentos das despesas de capital para colocar novas plataformas em funcionamento ou introduzir nova produção no mercado», concluiu.