Economia

Alfândegas, logística e infra-estruturas pesam mais ado que as barreiras externas no comércio africano

Ricardo Viegas de Abreu defende que boa parte dos obstáculos ao comércio africano está nas mãos dos próprios Estados: logística, alfândegas, serviços e infraestruturas.

Cerca de 60% dos custos comerciais dos países africanos resultam de factores internos dos próprios Estados, incluindo ineficiências logísticas, dificuldades aduaneiras, restrições nos serviços e insuficiências das infra-estruturas, segundo o ministro dos Transportes, Ricardo Viegas de Abreu.

A afirmação desloca o foco do debate. Na prática, a maior parte do peso que encarece as trocas comerciais no continente não decorre de factoresexternos, mas de problemas que os governos africanos podem, em grande medida, resolver.

A ideia esteve no centro da segunda edição do Angola Hub Transportes e Logística Summit (AHTLS 2026), que decorreu em Luanda entre 28 e 30 de Setembro. A mensagem dominante foi a de que reduzir barreiras comerciais, por si só, não basta para que os produtos africanos cheguem aos mercados em condições competitivas. Os custos de transporte, o tempo de circulação das mercadorias, a eficiência dos portos, a qualidade das estradas e dos caminhos-de-ferro e os procedimentos nas fronteiras são decisivos para a competitividade das empresas.

O director executivo do evento, António Santana, sublinhou que a eficiência de um corredor logístico não beneficia apenas o país onde está localizado e pode influenciar directamente os custos de transporte e a competitividade das economias vizinhas.

Durante a cimeira, Ricardo Viegas de Abreu defendeu que o país atravessa uma fase em que os investimentos em infraestruturas têm de ser acompanhados por uma melhoria efectiva dos sistemas logísticos. A modernização dos transportes deve traduzir-se em serviços mais eficientes, menores custos logísticos e melhores ligações entre regiões.

O ministro considerou igualmente fundamental reforçar a cooperação regional e criar mecanismos para ultrapassar os obstáculos que ainda dificultam a circulação de mercadorias entre países africanos. Sobre o Corredor do Lobito, advertiu que o seu desenvolvimento não deve limitar-se ao transporte de matérias-primas do interior do continente para os mercados internacionais.

O peso no bolso das famílias

Não é a primeira vez que o governante liga a eficiência logística à economia do dia-a-dia. Em Junho, defendeu que a redução dos custos logísticos é determinante para a competitividade das empresas e para o poder de compra das famílias, uma vez que os custos elevados de transporte e distribuição acabam por ser transferidos para o consumidor final.

No encerramento do AHTLS 2026, a 30 de Setembro, Ricardo Viegas D’Abreu destacou o forte envolvimento do sector privado no investimento em infraestruturas transnacionais e defendeu que o país precisa de “um sector privado que acredite em investir em Angola”. O ministro confirmou ainda a realização da terceira edição do Summit em 2027, com o objectivo de transformar África numa zona de soluções, mobilidade e conectividade, e não num obstáculo entre dois oceanos.

 

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