O Porto do Soyo, na província do Zaire, registou em 2025 um volume de negócios anual de 7,067 mil milhões de kwanzas, de acordo com dados apresentados pelo presidente do Conselho de Administração da Empresa Portuária do Soyo, Fernando Dias.
O valor resulta da actividade desenvolvida pelas empresas concessionárias que operam nas instalações portuárias e das receitas geradas pelo actual modelo de gestão da infra-estrutura. Os dados foram divulgados pelo jornal ‘O País’, no âmbito da participação do Porto do Soyo no Angola Hub Transport & Logistics Summit 2026.
A empresa conta actualmente com 113 trabalhadores directos e assume um papel relevante na actividade económica do município e da província do Zaire. A administração pretende, contudo, aumentar a capacidade operacional e melhorar as condições de funcionamento do porto, num contexto em que a logística é considerada determinante para o crescimento das trocas comerciais.
Fernando Dias identifica a digitalização como um dos principais desafios. Segundo o gestor, o Porto do Soyo necessita de investimentos significativos para transformar as suas infra-estruturas num porto inteligente e acompanhar a evolução tecnológica registada no sector portuário internacional.
“Para não ficarmos para trás, o Porto do Soyo tem que caminhar para isso”, afirmou o presidente do Conselho de Administração, citado pelo ‘O País’, acrescentando que a modernização tecnológica implica investimentos elevados, uma vez que grande parte dos equipamentos e soluções utilizados no país são importados.
Conectividade condiciona competitividade
Além da digitalização, a melhoria das ligações de transporte constitui outra das prioridades apontadas pela administração portuária. Fernando Dias defende a necessidade de reforçar a ligação ferroviária do Soyo e de melhorar as condições do aeroporto local, de forma a permitir uma maior circulação de pessoas e mercadorias.
Actualmente, a ligação terrestre com Luanda constitui uma das principais vias de acesso ao Soyo. Embora a estrada Luanda-Soyo seja considerada uma importante infra-estrutura para a região, o responsável aponta limitações nas ligações com outras províncias, nomeadamente com Mbanza Congo e o Uíge, bem como na ligação aérea com Cabinda.
Na avaliação do gestor, essas limitações retiram competitividade ao Porto do Soyo e dificultam a sua capacidade de atrair novos fluxos de carga e passageiros. A melhoria da conectividade permitiria, por outro lado, aproximar o porto de outras regiões do país e reforçar a sua integração na rede logística nacional.
Concessões reforçam participação privada
A estratégia de expansão da actividade está igualmente ligada ao novo modelo de concessão dos terminais. Em Abril de 2026, foi formalizada a concessão, por 20 anos, dos terminais de passageiros e de carga do Porto do Soyo à Sogester, segundo informação divulgada pela Rádio Mais.
Para Fernando Dias, o modelo segue a tendência dos portos modernos, em que o sector privado assume uma parte importante da componente operacional, enquanto o Estado mantém funções de regulação e fiscalização.
A Sogester passou, assim, a integrar a estrutura de operadores com presença no Soyo, juntando-se a empresas como a Kwanda e a Petromar, concessionárias referidas pelo presidente da Empresa Portuária do Soyo.
A nova configuração pretende contribuir para aumentar a eficiência dos terminais e criar condições para uma maior procura pelos serviços portuários. A administração do Porto do Soyo considera que a expansão da actividade poderá abrir espaço para novos investimentos e consolidar a infra-estrutura como plataforma logística no norte de Angola.
Ligação ao petróleo e gás
A localização do Porto do Soyo confere-lhe ainda uma importância particular para a indústria petrolífera e de gás. A infra-estrutura encontra-se junto à foz do rio Zaire, próxima de importantes zonas de exploração de hidrocarbonetos offshore, e desempenha funções de apoio logístico às actividades desenvolvidas na região.
Documentos de planeamento dos transportes em Angola identificam precisamente a proximidade dos blocos de petróleo e gás como uma das vantagens estratégicas do Soyo. A infra-estrutura serve igualmente as operações de importação e exportação destinadas ao interior da região.
A aposta na modernização tecnológica, na melhoria das ligações terrestres e aéreas e na participação de operadores privados surge, assim, como parte da estratégia para ampliar a actividade portuária.
Com um volume de negócios anual superior a sete mil milhões de kwanzas, o desafio colocado à administração consiste agora em transformar essa actividade numa base para uma expansão sustentada, atraindo novos fluxos de mercadorias, aumentando a eficiência dos terminais e reforçando o papel do Soyo na rede logística de Angola.