Mark Zuckerberg, sentado ao lado do presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, terá lançado a proposta que culminou no acordo de auto-regulação assinado nesta terça-feira na Casa Branca.
A ideia que deu origem ao pacto entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e a indústria da inteligência artificial (IA), assinado nesta terça-feira, surgiu de uma conversa entre o presidente executivo da Meta, Mark Zuckerberg, e o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, no jantar de Estado da semana passada.
Zuckerberg, que estava sentado ao lado de Johnson no jantar oferecido ao líder chinês Xi Jinping, falou-lhe das preocupações regulatórias em torno da IA. O presidente da Meta conversou depois com o presidente executivo da Nvidia, Jensen Huang, sobre a elaboração de um conjunto de princípios que os líderes do sector pudessem levar ao seu próximo encontro com Trump.
Zuckerberg como “arquitecto principal”
Outras fontes confirmam o papel central do empresário. De acordo com cinco pessoas conhecedoras do encontro privado, Zuckerberg foi o principal arquitecto do acordo “moralmente vinculativo” que resultou do almoço de terça-feira. Com a ajuda de Huang, apresentou a proposta a altos responsáveis da Casa Branca e a algumas das maiores figuras da tecnologia. Huang terá depois ajudado a reunir o apoio das lideranças dos principais laboratórios de IA, e desde o jantar de Estado até ao almoço os executivos mantiveram contacto regular para finalizar o documento.
O jantar de Estado em honra de Xi Jinping, realizado a 24 de Setembro, teve uma forte presença de líderes tecnológicos. Entre os convidados estavam, além de Zuckerberg e Huang, a presidente executiva da AMD, Lisa Su, e o presidente do conselho de administração da Apple, Tim Cook.
O “Acordo da Casa Branca sobre Superinteligência” foi assinado por empresas como a Meta, a OpenAI, a Anthropic, a xAI, a Google e a Nvidia, e prevê compromissos de controlo interno e auditorias externas à segurança da IA. Com pouco mais de 300 palavras, o documento não detalha como funcionarão na prática estes controlos geridos pela própria indústria, mas admite que poderá ser necessária regulação federal no futuro.
Zuckerberg descreveu o acordo como um conjunto de princípios e compromissos para criar controlos internos robustos e detectar eventuais problemas na tecnologia, com várias camadas de auditoria, desde a análise interna de riscos até auditores e avaliadores externos. Segundo o empresário, as empresas comprometeram-se a que os respectivos conselhos de administração analisem de forma independente os relatórios dos auditores. À saída da Casa Branca, ao lado de Trump e de Johnson, sublinhou que o acordo não será a única medida a tomar, descrevendo-o como “um começo”.
Tanto a administração Trump como os executivos presentes saudaram o pacto como um acordo histórico, que mostra a vontade da indústria de agir de forma responsável. Não é claro, porém, que o gesto seja suficiente para dissipar as preocupações do público quanto à segurança da IA.
No mesmo dia, Trump garantiu que o Governo norte-americano não vai limitar o desenvolvimento da inteligência artificial nem apoiar a imposição de restrições ao sector. Johnson defendeu a mesma linha, afirmando que uma regulação excessiva faria os Estados Unidos perderem a corrida com a China.