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Quais são as empresas chinesas mais relevantes para a economia angolana

Da reconstrução de estradas e cidades à produção de alumínio e vidro, as empresas chinesas estão presentes em quase todos os sectores da economia angolana. Conheça algumas das que têm maior peso no país.

Com cerca de 600 empresas de capitais chineses instaladas em Angola e um stock de investimento próximo dos 28 mil milhões de dólares, a China é um dos principais parceiros económicos do país. Nas duas primeiras décadas deste século, o investimento concentrou-se sobretudo na reconstrução nacional. Mais recentemente, tem-se alargado à indústria transformadora, à energia e à tecnologia.

A CITIC Construction, do conglomerado estatal CITIC Group, é uma das empresas chinesas mais conhecidas em Angola, sobretudo pela Cidade do Kilamba. Em Abril de 2017, a empresa iniciou a segunda fase da centralidade, a cerca de 30 quilómetros de Luanda, num investimento de 600 milhões de dólares.

A China Road and Bridge Corporation (CRBC), subsidiária da estatal China CommunicationsConstruction Company, é outro nome de peso. No seu portefólio no país estão a ponte sobre o rio Cunene, a mais longa de Angola, e a reabilitação da estrada Caxito–N’zeto. A empresa foi escolhida para construir a primeira auto-estrada do país, com cerca de 1400 quilómetros, a ligar o sul, na fronteira com a Namíbia, ao norte, na fronteira com a República Democrática do Congo. O ministro das Obras Públicas estimou a obra em cerca de 2,5 mil milhões de dólares, com o arranque previsto entre o final de 2025 e 2026.

Também a China Harbour Engineering Company e a Sinohydro têm presença relevante: em 2017, ganharam contratos de 459 milhões de dólares para obras de saneamento, infra-estruturas e estabilização de encostas na cidade do Sumbe, no Cuanza Sul.

Energia e petróleo

No sector energético, destaca-se a China GezhoubaGroup, principal empreiteira civil da barragem das Três Gargantas, na China. Em Angola, a empresa constrói o aproveitamento hidroeléctrico de CaculoCabaça, com 2 gigawatts de potência, um dos maiores projectos do género em África. A conclusão da construção está prevista para Outubro de 2026, e a entrada em funcionamento para 2028.

A China National Chemical Engineering (CNCEC) venceu em Outubro de 2023 o contrato para desenvolver a refinaria do Lobito, com capacidade para 200 mil barris por dia. A mesma empresa trabalha também na construção da fábrica de fertilizantes do Soyo.

A aposta mais recente passa pela indústria. O maior exemplo é o grupo Hebei Huatong Cable, cuja fábrica de alumínio electrolítico foi inaugurada em Janeiro deste ano pelo Presidente João Lourenço, na Zona Franca da Barra do Dande, no Bengo. A primeira fase, com um investimento de cerca de 250 milhões de dólares, tem capacidade para produzir 120 mil toneladas de alumínio por ano e criou cerca de 1200 postos de trabalho directos. O projecto completo, com cinco fases e um investimento total de 1,6 mil milhões de dólares, deverá gerar até 12 mil empregos.

No mesmo município do Dande, o grupo chinês Sino-Ord inaugurou em Julho a fábrica Cristal Azul, um investimento de 22 milhões de dólares em embalagens de vidro. A unidade tem capacidade instalada de 120 mil toneladas por ano, mas arranca com uma linha de 60 mil toneladas, e criou 220 postos de trabalho, na maioria ocupados por angolanos.

Menos mediático, mas com longa presença no país, o Guangde International Group investiu cerca de 2 mil milhões de dólares na indústria angolana desde 1999. O grupo detém 18 fábricas e um centro comercial, produzindo colchões, baterias para motociclos, veículos, chapas de zinco, mobiliário e contraplacado, e factura cerca de 100 milhões de dólares por ano.

Na tecnologia, a Huawei inaugurou em Angola um Parque de Ciência e Tecnologia, num investimento de 80 milhões de dólares, com a presença do Presidente João Lourenço. Outras empresas, como a CHINANGOL, a Anxing e a ZTE, investiram em plataformas de táxi online e de pagamentos e em linhas de montagem de telemóveis.

No sector mineiro, empresas chinesas têm participações em minas de diamantes, cobre e ouro. A Sinomine assinou em Junho de 2023 um acordo de compra da produção do projecto de lítio do Namibe.

Em Julho deste ano, Angola assinou ainda um acordo de 900 milhões de dólares com dois investidores privados chineses para desenvolver a Zona Franca, incluindo um terminal portuário nos arredores de Luanda. Segundo o embaixador ZhangBin, a próxima etapa da cooperação deverá passar pela inteligência artificial, pela economia digital e pelas energias renováveis.

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