Angola está a preparar a abertura do mercado doméstico de dívida pública a investidores internacionais, numa medida destinada a alargar a base de investidores, aumentar a liquidez do mercado em kwanzas e diversificar as fontes de financiamento do Estado.
A decisão foi anunciada em 9 de Setembro de 2026, quando a ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, revelou à agência Reuters que o Governo trabalhava na criação de condições para facilitar a entrada de investidores estrangeiros no mercado local de títulos de dívida. O tema voltou à carga ontem, quarta-feira, dia 29, no Global Investors Day, em Luanda.
A abertura não representa a entrada, pela primeira vez, de investidores não residentes no mercado angolano. Estes já podem investir em títulos de dívida pública, mas estão sujeitos a procedimentos regulamentares e operacionais que o Governo pretende simplificar.
Mercado de grande dimensão
O mercado doméstico de dívida pública titulada tinha, no final de 2025, uma dimensão de cerca de 17 biliões de kwanzas, equivalentes a aproximadamente 18,6 mil milhões de dólares, segundo dados citados pela Reuters.
A maior participação de investidores estrangeiros poderá aumentar a procura por Obrigações do Tesouro e contribuir para o desenvolvimento do mercado secundário, embora o impacto sobre os custos de financiamento dependa das condições de mercado, do risco cambial e da percepção dos investidores sobre o risco soberano angolano.
Angola de olho nos índices internacionais
A iniciativa está também relacionada com as conversações entre Angola e a JPMorgan sobre uma eventual inclusão do país num novo índice de dívida em moeda local destinado a mercados de fronteira.
Uma eventual inclusão poderá aumentar a exposição dos títulos angolanos junto de fundos internacionais que acompanham índices de dívida soberana em moeda local. Para isso, Angola terá de assegurar condições adequadas de acesso ao mercado, liquidez, custódia, liquidação e circulação de capitais.
A abertura surge num momento em que o Executivo procura aprofundar o mercado de capitais em kwanzas e reduzir a dependência do financiamento externo em moeda estrangeira.
Para os investidores internacionais, o mercado angolano oferece exposição à dívida soberana em moeda local, mas também implica riscos associados à evolução do kwanza, inflação, taxas de juro e liquidez.
A concretização da medida dependerá agora das alterações regulamentares e operacionais necessárias para tornar o mercado mais acessível aos não residentes.