Mercados Financeiros

Burquina Faso inaugura refinaria de ouro para reforçar controlo sobre riqueza mineral

O Burquina Faso inaugurou a sua primeira refinaria de ouro, numa iniciativa destinada a aumentar o valor acrescentado gerado pela exploração dos recursos minerais e reduzir a dependência da exportação de ouro não refinado.

A unidade, denominada Raffinerie Nationale d’Or du Burkina Faso (RAFFINOR-BF), foi inaugurada pelo Presidente Ibrahim Traoré, em Ouagadougou, a capital. Na ocasião, o chefe de Estado defendeu que o país deve deixar de se limitar à extracção dos seus recursos minerais e passar a desenvolver internamente as diferentes etapas da cadeia de valor.

Construída com um investimento estimado em 11 mil milhões de francos CFA, cerca de 19 milhões de dólares, a refinaria terá, numa primeira fase, capacidade para processar 164 toneladas de ouro por ano. Uma segunda etapa deverá elevar a capacidade para 515 toneladas anuais.

A infra-estrutura estará vocacionada para a refinação, análise, certificação e armazenamento seguro do ouro, permitindo que actividades que até agora eram realizadas em grande parte fora do país passem a ser efectuadas internamente.

Segundo as autoridades, o projecto deverá gerar cerca de 100 postos de trabalho directos e mais de 5.000 empregos indirectos.

Ouro domina exportações

O ouro é actualmente o principal produto de exportação do Burquina Faso e uma importante fonte de divisas para a economia nacional. Em 2025, a produção de ouro situou-se entre 94 e 100,7 toneladas, das quais cerca de 58 toneladas foram provenientes de 15 minas industriais e mais de 42 toneladas de operações artesanais e semi-mecanizadas.

Durante os primeiros sete meses de 2026, o ouro representou quase 94% das receitas de exportação do país, muito acima de outros produtos de exportação, como o algodão.

Durante a cerimónia de inauguração, Ibrahim Traoré afirmou que a estratégia do Governo não se limita ao sector aurífero. “A nossa ambição vai para além do ouro. Queremos transformar o sector mineiro num motor de transformação industrial”, declarou.

A entrada em funcionamento da refinaria surge num contexto de alterações na política mineira do Burquina Faso desde a chegada de Traoré ao poder, em 2022. Entre as medidas adoptadas está o aumento da participação gratuita do Estado nos projectos mineiros, de 10% para 15%, bem como a criação da empresa mineira estatal SOPAMIB.

Antes da entrada em funcionamento da RAFFINOR-BF, uma parte significativa do ouro produzido no Burquina Faso deixava o país sob a forma de doré, sendo posteriormente submetida a processos de refinação e certificação no estrangeiro.

A nova refinaria pretende alterar esse modelo, transferindo para o território nacional uma parcela maior das actividades associadas à cadeia de valor do ouro.

A aposta enquadra-se numa tendência mais ampla em vários países africanos, que procuram aumentar o processamento local dos recursos minerais antes da sua exportação. Os governos procuram, desta forma, estimular a industrialização, criar emprego e assegurar uma maior participação das economias nacionais no valor gerado pela exploração dos seus recursos naturais.

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