Cimeira de transportes em Luanda arrancou com a assinatura de três acordos, incluindo um com a IFC, do Grupo Banco Mundial, para preparar a concessão do Corredor Norte, e um programa que prevê 2.000 carregadores para veículos eléctricos
A segunda edição do Angola Hub Transporte e Logística Summit (AHTLS 2026) abriu esta segunda-feira em Luanda com a formalização de três instrumentos de cooperação nas áreas da ferrovia, do financiamento de infra-estruturas e da mobilidade eléctrica. O encontro, que decorre até dia 30 no Centro de Convenções de Talatona, junta governos, instituições financeiras internacionais, investidores e operadores dos sectores ferroviário, portuário, marítimo, aéreo e logístico.
A sessão de abertura foi presidida pelo ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Dionísio Manuel da Fonseca, em representação de João Lourenço, e contou com o ministro dos Transportes, Ricardo Viegas de Abreu. A presença de delegações governamentais da República Democrática do Congo e de Moçambique deu ao encontro uma dimensão regional.
“Angola reúne condições geográficas e estratégicas para desempenhar um papel cada vez mais relevante na ligação entre os mercados da África Austral e o comércio internacional”, afirmou Dionísio Manuel da Fonseca, acrescentando que “o desafio consiste em transformar esse potencial em investimento, capacidade produtiva, emprego e oportunidades concretas para as populações”.
Banco Mundial apoia concessão da linha Luanda–Malanje
O acordo de maior peso foi celebrado entre o Ministério dos Transportes e a Corporação Financeira Internacional (IFC). Trata-se de um acordo de consultoria de transacções destinado a apoiar os estudos necessários à futura concessão do Corredor Norte, também designado Caminho-de-Ferro de Luanda, com vista à estruturação de uma parceria público-privada. Segundo o ministro dos Transportes, o corredor liga o Porto de Luanda a Malanje e serve territórios com potencial mineral, agrícola, industrial, turístico, comercial e de serviços.
A cooperação prevê estudos técnicos para definir o modelo de exploração, gestão e operação da infraestrutura. Esta será a segunda concessão ferroviária a ir a concurso público, depois da do Lobito. Ricardo Viegas de Abreu indicou ainda que o Corredor do Namibe, com cerca de 855 quilómetros de linha e ligação ao Porto do Namibe, entrou numa nova fase do processo de concessão.
Banca nacional e 1.000 autocarros eléctricos
O segundo instrumento é um memorando com a Hemera Capital Partners que define princípios de colaboração para um programa que visa aumentar a participação das instituições financeiras na análise, estruturação e financiamento de projectos estratégicos do sector, aproximando a banca dos projectos desde as fases iniciais.
O terceiro acordo, entre o Ministério dos Transportes, o Fundo Soberano de Angola e a OPAIA Motors, enquadra o programa de mobilidade eléctrica Ondjila Green. A iniciativa prevê, numa primeira fase, a instalação de 2.000 carregadores e a introdução faseada de pelo menos 1.000 autocarros eléctricos em diferentes pontos do país.
“Os acordos apresentados nesta edição demonstram precisamente o tipo de resultados que pretendemos promover”, disse António Santana, CEO do AHTLS 2026, sublinhando que o objectivo é “contribuir para a mobilização dos parceiros e dos investimentos necessários” à transformação do sector.
Lobito no centro do debate
Os corredores logísticos dominam a agenda, com destaque para o Corredor do Lobito, que liga o Atlântico aos mercados da África Austral e Central. Na abertura, o ministro dos Transportes defendeu que o corredor deve servir para mais do que exportar matérias-primas e pediu maior coordenação entre Angola, a RDC e a Zâmbia, apontando o seu potencial para escoar produtos agrícolas, minérios e rochas ornamentais. Anunciou também que a primeira fase da Cadeia de Frio da Plataforma Logística da Caála será inaugurada na próxima semana.
O programa inclui painéis sobre os corredores do Lobito, Nacala, Dar es Salaam e Maputo e sobre o financiamento de infraestruturas em África, bem como bolsas de investimento e inovação para startups da SADC. A organização contava com representantes de 27 países. Promovida pelo Ministério dos Transportes e produzida pela AS Consulting, a cimeira pretende afirmar-se como plataforma de cooperação e captação de investimento para Angola e para a região.