Do novo aeroporto de Luanda aos canais de irrigação do Cunene, o Executivo apresenta um balanço das infraestruturas construídas ou lançadas em diferentes sectores
Num balanço das principais realizações da governação do Presidente João Lourenço temos um conjunto de infraestruturas que abrange a mobilidade e logística, a saúde, a energia, a água, a habitação, o ensino e a ciência, e inclui ainda reformas no sector produtivo do Estado. Segundo o documento, o objectivo é modernizar o país, melhorar as condições de vida das populações e reduzir a dependência do petróleo.
O projecto mais visível é o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, já inaugurado. Tem duas pistas, 31 mangas e capacidade projectada para mais de 15 milhões de passageiros por ano. A aposta no transporte aéreo inclui também a modernização dos sistemas de navegação e controlo do espaço aéreo nacional e novas infraestruturas aeroportuárias nas províncias, com destaque para Cabinda e Mbanza Kongo.
Em terra, o Executivo aponta a reabilitação e expansão do Caminho de Ferro de Benguela e obras de construção e manutenção de estradas em todo o país. A Barra do Dande, no Bengo, aparece como pólo logístico e industrial. Ali estão a ser desenvolvidos um terminal oceânico para armazenamento estratégico de combustíveis, uma zona franca e a primeira fase de uma fábrica de alumínio electrolítico.
Saúde: uma rede de hospitais gerais nas províncias
Na saúde, o destaque vai para os hospitais de referência. Em Luanda foram inaugurados o Hospital Materno-Infantil Dr. Manuel Pedro Azancot de Menezes, no Camama, e o Hospital Geral de Viana Bispo Emílio de Carvalho. Também na capital, o Hospital dos Queimados Presidente Julius Nyerere dispõe de câmara hiperbárica, e o antigo Sanatório foi transformado no Complexo Hospitalar Cardeal Dom Alexandre do Nascimento, com valências de elevada complexidade.
Fora da capital, abriram hospitais gerais no Cuanza-Norte, no Bengo e no Cunene, e está em construção o do Cuanza-Sul. Está igualmente em curso o Hospital Universitário da Universidade Agostinho Neto. O balanço refere ainda a expansão da hemodiálise a várias províncias e a introdução da cirurgia robótica no país. Segundo dados do Executivo, a rede pública passou de 2.612 unidades em 2017 para 5.958 em 2024.
Água: o Sul como prioridade no combate à seca
No sector hídrico, a maior concentração de obras está no Sul, afectado por secas recorrentes. O Canal do Cafu, no Cunene, tem cerca de 165 quilómetros e destina-se à irrigação agrícola. A Barragem do Ndúe, na mesma província, terá capacidade para cerca de 170 milhões de metros cúbicos. Juntamente com a Barragem do Calucuve, estas obras integram o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola.
Para Luanda, os sistemas de água do BITA e da Quilonga pretendem reforçar o abastecimento da capital, sobretudo na zona sul. O Executivo reporta mais de 500 mil novas ligações domiciliárias em todo o país.
Energia: hidroeléctricas, parques solares e interligação da rede
A Barragem de Laúca, com cerca de 2.000 megawatts, está em plena operação. A de Caculo Cabaça, em construção, deverá atingir aproximadamente 2.172 megawatts. Foram também reabilitadas as centrais do Luachimo, na região diamantífera, e da Matala.
A energia solar ganhou peso com o Parque Solar do Biópio, em Benguela, com cerca de 188 megawatts, e com projectos em Baía Farta, Saurimo, Luena e Caraculo. A Central Solar do Luau reforça a electrificação do Leste, e um programa solar dirige-se às zonas rurais. Para levar esta energia a todo o território, avançam as linhas de transporte Norte–Centro, Centro–Sul e Norte–Leste, que ligam, entre outras, as cidades de Huambo, Lubango, Namibe, Ondjiva, Menongue, Malanje e Saurimo.
Habitação: centralidades no Bengo e em Luanda
No urbanismo, o balanço destaca a Centralidade Teresa Afonso Gomes, em Caxito, e a Centralidade Bucula, ambas no Bengo. Em Luanda e Icolo e Bengo continuam projectos como o Zango V, a Vida Pacífica e o KK5000.
Ensino e ciência: universidades no interior e novos pólos tecnológicos
O ensino superior cresce sobretudo fora de Luanda. Destacam-se o novo campus da Universidade LuejiA’Nkonde, no Dundo, com capacidade para mais de 8 mil estudantes, e o seu Instituto Politécnico Superior, em Saurimo. Há ainda novas instalações no Cuito, Luena, Ondjiva, Soyo, Ndalatando e Namibe.
Na ciência e tecnologia, a capital ganhou o Centro de Ciência de Luanda, a Escola 42, dedicada à programação, e o Parque de Ciência e Tecnologia de Luanda, com laboratórios e incubadora de empresas. No ensino geral, o Executivo contabiliza mais de mil escolas construídas ou reabilitadas.
Indústria, recursos e espaço
No sector petrolífero, entrou em funcionamento a primeira fase da Refinaria de Cabinda, com capacidade inicial de cerca de 30 mil barris por dia. Continuam os projectos do Lobito e do Soyo e a modernização da Refinaria de Luanda. Nos diamantes, entrou em produção o projecto do Luele, apresentado como uma das maiores operações do país.
O balanço inclui também o sector espacial, com o lançamento do satélite Angosat-2 e a inauguração do Centro de Controlo e Missão de Satélites.
Desafios persistem
O documento enquadra estas obras nas reformas económicas dos últimos anos, como a reforma cambial, o IVA, o programa de privatizações PROPRIV e o programa Kwenda de apoio às famílias vulneráveis. O próprio Executivo reconhece que “persistem desafios significativos”. A conclusão de vários projectos ainda em curso e o seu impacto no quotidiano das populações serão os principais testes a este balanço.