Internacional

Encerramento de refinarias custou 4,7 mil milhões de dólares à África do Sul, revela banco central

A factura das importações de petróleo da África do Sul poderia ter sido 4,7 mil milhões de dólares (cerca de 76 mil milhões de rands) mais baixa caso o país não tivesse encerrado uma parte significativa da sua capacidade de refinação, segundo o banco central do país.

De acordo com uma nota económica do South African Reserve Bank publicada na semana passada, a despesa poderia, em média, ter sido 6,1% mais baixa ao longo dos quatro anos até 2024, se o limite às importações de produtos petrolíferos refinados se tivesse mantido nos 25%. A capacidade de refinação do país — a maior economia de África — caiu para metade na última década, com os combustíveis refinados importados a suprirem atualmente mais de metade da procura interna.

O impacto não se limitou à balança comercial: o encerramento de refinarias reduziu a produção industrial ligada ao petróleo em cerca de 20% desde 2019, eliminando um número estimado de 5.400 postos de trabalho, diretos e indiretos.

Segundo o Reserve Bank, o país dispõe atualmente de apenas cerca de 250 mil barris por dia de capacidade de refinação operacional, muito abaixo da capacidade instalada de aproximadamente 720 mil barris diários que já teve entre refinarias de crude, carvão-para-líquidos e gás-para-líquidos. Entre os planos de recuperação está a reabilitação da refinaria Sapref, junto a Durban, inativa desde que as cheias de 2022 danificaram as instalações, com o objetivo de atingir um débito de 400 mil barris por dia.

Face a este cenário, a África do Sul anunciou recentemente planos para pelo menos triplicar a sua capacidade de refinação de petróleo, num contexto de crescente preocupação com a exposição do país a choques nos preços internacionais.

A guerra no Irão tem contribuído para a subida dos preços do petróleo, expondo a dependência de África face às importações de energia — que representam cerca de 70% das necessidades de combustível refinado do continente. Este conflito tem levado vários países a repensar as suas estratégias de soberania energética. É nesse contexto que o magnata nigeriano Aliko Dangote prepara a construção de uma refinaria no Quénia, inspirada na sua mega-refinaria de Lagos.

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